Tuesday, June 02, 2015
Christina Maria
Wednesday, May 12, 2010
As Coisas Mudam

“As coisas mudam.” Essa foi a resposta para um SMS* enviado por mim. E quer saber? Tem razão: as coisas mudam. E como mudam.
Passei 3 anos e meio me sujeitando a qualquer coisa só para estar ao lado de alguém que não me dava a mínima. Eu passei dias surtando e tentando entender o que eu tinha feito de errado.
E foi então, que num momento de clareza eu tomei uma decisão. Aliás, não uma: A decisão. Assim mesmo, com caps lock Uma daquelas decisões que eu custo a tomar mas que recolocam nas minhas mãos, as rédeas da minha vida.
Uma decisão daquelas poucas que eu nunca me arrependo: eu tomei a atitude que colocaria fim naquela situação patética.
De lá para cá, as coisas realmente mudaram. Eu parei de fugir de tudo. E, principalmente, parei de fugir de mim mesma.
Eu resolvi, dessa vez, não dar uma chance para alguém que gostava de mim. Mas me dar a chance de gostar de alguém.
Realmente as coisas mudam. Agora, quem tem alguém sou eu. Mas alguém que vale a pena. Não um alguém daqueles que me quer apenas para satisfazer suas necessidades egoístas. Alguém que gosta das besteiras que eu digo, que atura meus surtos, que atende o telefone a qualquer hora que eu ligue. Alguém que me liga no meio da manhã ou no meio da tarde só para saber como eu estou, ou me dizer que me viu na rua e adorou minha roupa. Não no meio da madrugada querendo sexo ou tão bêbado que no dia seguinte mal se lembra disso.
É, tem razão. As coisas mudam. E, no meu caso, mudaram para muito melhor!
* A mensagem original, que recebeu essa resposta foi: “pensei que você não quisesse me ver nem pintada de ouro.”
Wednesday, March 17, 2010
Perdendo o Controle e Tentando Encontrando Limites

Não me lembro quando passei da pessoa que não estava nem aí com nada para alguém que precisava de segurança. Deve ser coisa da idade. Ou perdi o costume mesmo. Depois de três anos me mantendo sob rédeas curtas para não perder o controle, devo ter acostumado. Isso que dá se meter com um canalha imprestável. Passei anos tentando não me envolver com ele. Consegui até nos últimos meses, quando resolvi dar uma chance. Me ferrei. Mas descobri que foi uma perda de controle falsa. Bastaram alguns dias e um reencontro com um passado distante para as coisas se acertarem novamente.
Mas, quando foi que eu passei a precisar dessa maldita zona de conforto? Eu me lembro de gostar da Montanha Russa (ver texto Tudo Diferente).
Aí, estava eu ali, na minha vidinha pseudo tranqüila, dando minhas aulas e fazendo meus servicinhos como jornalista. Eu ia para as baladas e quando precisava de algo mais, tinha a quem recorrer. Tudo bem, eu confesso! Andava tudo muito chato e ligado no piloto automático. Mas eu estava pseudo feliz (e vivendo uma vidinha monótona pra caramba!!!)
Mas, eis que então, tudo muda! Tudo! Tudo que era certo ficou incerto. E eu que sou canceriana e odeio mudanças entrei em parafuso. Meus empregos já não eram mais garantidos. Eu tinha coisas com data para entregar e não sabia se seria capaz. E ainda por cima, pra completar, me aparece um ser com uma notícia que teve o mesmo efeito de um coice. Simplesmente me mandou longe!!! Tudo bem que ele “pagasse pau” pra mim há bastante tempo. Mas precisava jogar a notícia assim, de supetão, na minha cara de uma vez só? E pior... mais proibido impossível. Se eu fosse seguir a razão, simplesmente não faria nada! Absolutamente nada! Eu seria razoável e diria para esquecer tudo. Mas, não... claro que não? Desde quando eu sou uma pessoa racional? A ‘Eu’ de agora (ou de uns dias atrás? Já nem eu sei mais) era... Estava decidida a levar uma vida regrada. Mas... sabe como é, não? Brasa adormecida. Basta assoprar um pouquinho pra virar fogo de novo. E, de repente, la estava eu com a vida de cabeça pra baixo, em meio a altos e baixos, curvas, loopings pega de surpresa e tentando conciliar as duas coisas (razão e emoção).
Acontece que é simples assim: as duas não combinam. Ou você é racional ou não. E eu não sou. Meu problema é que não ajo bem sob pressão. Eu tendo a fazer tudo o que tenho que fazer, mas sobram coices para todos os lados. E é assim que tem sobrado uns (ou muitos) para quem não merece. E é assim que tem sobrado pra você (O novo você, claro... não o você dos textos antigos. E você sabe bem quem é, né?). Mas, não esquenta não. Parte da pressão já está passando, as coisas estão entrando nos eixos e os surtos tendem a diminuir cada vez mais.
Afinal de contas, eu resolvi bancar. Pagar pra ver. Não sei onde vai dar. Mas fazer o que? Eu tenho que me lembrar porque eu gosto da montanha russa... Eu até acho que no final vou me ferrar. Mas, quero tentar encontrar meus antigos limites. Ou viver sem limites nenhum, quem sabe.
Oh, God! O que eu faço agora? Hehehehehe (pergunta retórica, porque eu bem sei o que fazer agora!!! :] )
Sunday, February 21, 2010
Ilusão

Eu sei que você não presta! Eu sei que você não vale a pena! Mas o que eu posso fazer se em alguns dias eu acordo com saudades de você? Não da pessoa amarga, chata e sem nenhuma consideração que você se tornou e que despertou o pior de mim da pior maneira possível. Mas daquele cara legal com quem eu saía, tomava cerveja e dava muitas risadas.
Aquele cara era tão legal. Eu queria tanto ficar perto dele o tempo todo. Ilusão. Ilusão querer ficar com você. Ilusão que você era um cara legal. Ilusão o meu sentimento.
Você me perguntou o que aconteceu para eu fazer o que fiz. Você deveria se perguntar.
O que aconteceu? Onde erramos? Qual foi a curva errada que pegamos? Eu sei bem. Erramos os dois. Você por não ser sincero e eu por pressionar. Fazer o que? Não era pra ser.
E no final das contas você me moestrou que eu estava certa: você nunca vai ser um cara fiel. Nunca vai ser homem de uma mulher só. Eu sofreria horrores com você.
Mas, foi melhor assim. Percebi que estava enganando a mim mesma. E embora as vezes eu sinta saudades, percebi que "criei" meu amor por você.
Sim, criei. Inventei. Porque do dia que decidi o que faria, eu sabia que tudo estaria acabado entre nós. E desse dia em diante, nunca mais senti que morreria se não estivesse ao seu lado.
E, para falar a verdade. Apesar da falta que sinto de você às vezes, não me arrependo nem por um segundo.
Monday, February 15, 2010
Scarlett Johansson na madrugada

Quando eu acabava de sentar na cama, me preparando para deitar, peguei o celular para ver a hora. Mas, antes mesmo de virá-lo, ele vibrou. Minha reação foi engraçada. Antes de olhar quem era minha reação foi pensar em alguém. Alguém... aquele alguém que me ligava sempre às 2h30 da manhã. Mas quando eu virei e vi o nome não pude conter o riso. Não era ele. Era outro... outro que numa incrível coincidência resolveu pegar o telefone para me ligar na "hora mágica".
E então, do outro lado a voz me diz "E aí, o que vc está fazendo?"
E eu digo "me preparando para deitar".
Ele responde: "Larga mão disso, vamos sair comigo."
E aí a ligação caiu.
Confesso que a vontade de ligar foi imensa. Mas, como eu disse para a minha mãe, se eu aprendi alguma coisa no pseudo relacionamento anterior foi não correr atrás. Se me quer, que me procure. Até porque eu já tinha tentado falar com esse fulano por esses dias, mas como dizem por aí ele andava "mais liso que bagre ensaboado"... e eu simplesmente tinha decido deixá-lo de lado. Até porque ele não é novidade. É caso de 10 anos atrás e já naquele tempo eu descobri do que ele era capaz. Não deve ter mudado tanto.
Então eu me deitei e fiquei pensando: "será que vai ficar nisso? Ou será que vou ouvir Scarlett Johansson* cantando em breve?"
Mas os minutos passavam e nada. Eu tentava me convencer que a bateria do celular tinha acabado. Mas, os traumas recentes me diziam que ele simplesmente estava bebado demais.
Ouvi um carro passar, parar e buzinar em frente à minha casa. Eu tinha certeza que era ele. Mas eu não ia sair às 3h da manhã, simplesmente para conferir. Não mesmo!!!
Assim, como num passe de mágica, mais alguns minutos se passaram e ouço o som inconfundível do celular vibrando ao lado da cama... logo seguido pelo balanço de "Relator". Era ele. Tudo igual, mas ao mesmo tempo tudo tão diferente. Ok então! Eu sei que o final seria o mesmo, mas se é para ser igual, que tal pelo menos fazermos as coisas de um jeito diferente. Foi assim que eu simplesmente resolvi que ia sim sair de casa às 3h15 da manhã.
A diferença é que a pessoa que estava comigo, no mínimo faz alguma diferença. É óbvio que eu o meço pelas atitudes do "fulaninho". É claro que eu tenho certeza absoluta que no final tudo vai acabar de maneira bem parecida. Mas... se é pra ser assim, que seja, pelo menos com alguém que sabe o que quer da vida, que vem me buscar em casa e que, no final da noite, paga a conta sem me pedir nenhum centavo emprestado.
É tão legal. Eu já gostei tanto dele em outros tempos. Mas, a razão pela qual eu consigo dar um passo atrás, me afastar e enxergar tudo tão direitinho, é mesma que me faz lembrar de você no dia seguinte (ou me faz esperar o telefone tocar de madrugada): eu, simplesmente, não consegui superar o que aconteceu no final do ano... Eu, simplesmente, ainda gosto de "você" muito mais que eu devia, ou que eu queria.
* O toque do meu celular é a música "Relator", de Scarlett Johansson e Peter Yorn.
Sunday, January 03, 2010
Apenas respondendo...
Tudo bem? Claro que está tudo bem... Não pode haver sensação melhor no mundo que a de liberdade. E é exatamente assim que eu me sinto agora.
Então, quer dizer que você quer só entender o que aconteceu pra eu fazer isso? E ainda diz que poderia ter evitado toda a barraqueira que aconteceu por aí?
Mas você é um mártir mesmo... Não se preocupe. Já pedi para minha amiga advogada entrar com um pedido nas organizações internacionais para erguermos uma estátua sua na entrada do caminho de Santiago. Ou em Santiago do Chile. Porque é isso que você é, não? Um santo.
Você quer saber quais são meus motivos? Diz que não entende? Oras... eu posso te dar ao menos 6570 motivos. Um para cada dia do período que passei sob o domínio da sua sedução. Pelas vezes que eu chorei porque sabia que você não ia ficar comigo. Pelo estado que eu fiquei quando você passou o dia comigo, me prometeu que não ia embora e no dia seguinte tinha se mandado do país. Pelas vezes que eu tentei te dizer como eu sentia e você dizia que era pra eu parar de jogar isso na sua cara. Pelos dias que eu queria apenas conversar com meu amigo e você me dizia que se não fosse pra ter sexo você nem se daria ao trabalho de sair de casa. Você ainda precisa de motivos? Espera... eu tenho mais. Que tal você sumir e simplesmente resolver não atender mais meus telefonemas? E pior... simplesmente apertar o botão de desliga? Que tal ter arrumado uma terceira, transformando nosso triângulo insano num quadrado? Tem razão... eu não tenho motivo nenhum para fazer o que eu fiz. Se você tivesse sido homem uma vez na vida e falado comigo, nada disso teria acontecido. Mas não foi. Você simplesmente fez o que costuma fazer. Fugiu. Mentiu. Só que num momento raro de pensamentos claros, eu percebi que você ia voltar pra ela. E se não eu não fizesse nada, você continuaria enganando alguém que eu conheço há muito mais tempo que você. Uma mulher que trabalha muito pra que? Pra te sustentar enquanto você fica a toa em casa bebendo? Me poupe, querido.
Não se faça de vítima, porque isso você não é. Você mentia para ela e depois mentia para mim. A diferença entre eu e você é que eu cansei. Eu tenho a “péssima mania” de terminar tudo. Mas Xico Sá já disse isso. Não existe fim sem barraco! Fim que é fim tem que ter barraco! Se não é porque já não existia nada que valesse a pena.
E ainda vem você me dizer que por mais canalha que você seja você nunca seria capaz de fazer isso com ninguém? Tem razão, meu bem, você realmente não é capaz de dizer a verdade para ninguém. Nunca disse para mim e nunca disse para ela. E o que foi que eu fiz além disso? Nada. Eu simplesmente disse a verdade. Onde foi que eu menti? Então você não me ligava assim que colocava os pés no Brasil? Eu nunca dormi na sua casa com seus pais lá? Eu nunca fiquei com você no sofá da sala enquanto seus pais dormiam? Não era eu quem estava com você quando ela descobriu sua traição? Você não me ligava 20 vezes num dia me chamando para sair? Você não a pintava como louca? Você não usava seu e-mail de trabalho para falar comigo?
Minha culpa... eu devo ter entendido tudo errado... É preciso que se reveja a tecnologia dos celulares. Os identificadores de chamada devem estar mal programados. Seu numero está registrado no meu celular milhões de vezes. Também preciso pedir revisão do meu e-mail. Deve estar maluco. Minha caixa de entrada está abarrotada com suas mensagens. É o fim do mundo! Não se pode mais confiar na tecnologia!
Aí vem você e me diz que eu ganhei. Realmente, eu ganhei. Ganhei minha vida de volta. Ganhei a oportunidade de continuar, dessa vez bem longe de você. Ganhei a chance de encontrar alguém que valha a pena.
Mas depois você muda de idéia e me diz que eu perdi, que quem ganhou foi você. Vamos avaliar, ok?
Eu perdi o que? Um cara que nunca deu a mínima pro que eu sentia? Um cara que me disse, na cara que “se quisesse comprar já teria comprado”, numa referência a ficar comigo? Um cara que passava o dia comigo e no dia seguinte sumia do país? Uma boa foda? Ah... me poupe! Isso a gente acha em qualquer esquina.
E você? Ganhou o que? O pé na bunda, da namorada e da amante? A chance de ficar, caso ela resolva te perdoar, com uma mulher que nunca mais vai confiar em você? (porque se você acha que vai, você realmente não conhece as mulheres... Mas isso é fato. Você não conhece mesmo.)
Mas... acho que você pode até ter ganhado a oportunidade de começar de novo e fazer as coisas diferentes... Mas acho, de verdade, que isso não vai acontecer. Ah, sim... ganhou a oportunidade de ficar com a terceira (coitada! Logo logo vai ganhar um chifre).
Não não... Você estava certo no primeiro recado. Eu ganhei!!! Ganhei a oportunidade de rir na sua cara. E se for verdade que o que a gente faz dia 1º de Janeiro, a gente faz o ano inteiro, eu vou passar o ano dando gargalhadas a suas custas!
Aproveite a oportunidade! Faça tudo diferente! Seja homem! Cresça!
Thursday, December 03, 2009
A Arte de Ronronar

E aí que alguém me chame de louca? Eu mesma estou sem entender nada... Como passei do pico da ansiedade de ontem para uma calmaria sem fim hoje? Seria o tal "silêncio que antecede o esporro"? Seria apenas eu me colocando nos eixos? Seria minha mania idiota de acreditar nos outros se manifestando?
Não sei... mas acho que incoscientemente resolvi não fazer isso comigo mesma. Provocar tamanho stress em si mesmo não pode ser bom. Deixa qualquer um em frangalhos.
Mas, a verdade chega a ser engraçada. Isso porque meus pensamentos me levam para as páginas de livros fantásticos*. Na minha opinão deve ser exatamente o que sente alguem que tem as emoções manipuladas por Jasper Hale**. Talvez eu tenha meu Jasper particular, quem sabe?
Mas, não consigo deixar de pensar como seria bom conseguir manipular as emoções. Não a dos outros, mas nossas próprias... Eu juro que nunca mais me sentiri ansiosa, nunca mais meteria os pés pelas mãos.
Mas sei que isso é impossível. Não existem por aí seres ronronadores (sim, porque na minha cabeça criativa o poder de Jasper funciona como o ronronar de um gato) que manipulem nossas emoções e, nofinal das contas, somos nós contra nossas próprias neuroses. E as minhas são muitas. Tantas que acho sensato incluir dentre os objetivos do ano que vem, aprender a "ronronar".
E aí, como se já não fosse provável que me achem uma louca, um sorriso desponta enquanto eu escrevo e os alunos fazem tarefas pensando: "essa professora não deve bater bem..."
* Fantásticos de fantasia e não de maravilhosos.
** Jasper Hale, personagem da Saga Crespúsculo, de Stephenie Meyer.
Simplesmente Assim...

A inspiração e a vontade de escrever sempre me chegam nas horas mais estranhas. Enquanto aguardo uma entrvista de emprego, enquanto espero alunos finalizarem uma prova, ou enquanto almoço sozinha no shopping. Mas, o que é certo sobre elas é que, em geral, chegam quando algo mexe comigo.
Uma vez você me disse que eu nunca escrevia sobre você. Grande mentira. Escrevo sim. De maneira camuflada e disfarçada, mas você sempre está lá. Seja na minha vontade de fugir, seja no anseio por mudanças, no desespero na decepção ou escondido nas letras de música.
Você sempre está lá. Implícito como meu desejo secredo de que um dia você me escolha, mesmo sabendo que isso é impossível.
Se você soubesse quantas vezes eu já te cantei em prosa e verso ou já te transformei em música de Los Hermanos você ficaria impressionado. Mais ainda se descobrisse de quantas maneiras já te assassinei em pensamento.
Não... nunca cheguei ao desespero de uma Amy Winehouse, chorando por você no chão da cozinha. Mas não posso dizer o mesmo do banheiro.
Você tem um grande poder sobre mim, que eu não consigo identificar. É assim. Eu planejo nunca mais cair na sua para dois dias depois estar pedindo para você voltar. Chega a ser ridículo. Patético mesmo. Como aquela célebre crise de choro.
Já tentei te odiar de todas as maneiras. Não pela nossa situação, mas pela pessoa em que me transformo perto de você: humana, irracional, sem nenhum controle sobre mim mesma. Justo eu que lutei tanto para acabar com quaisquer traços de normalidade.
Mas, fazer o que? É assim... Simplesmente como você disse outro dia, porque é assim. E não há nada que se possa fazer sobre isso...
Montanha Russa

De "nenhum texto", você mudou seu status para "todo texto". Talvez não diretamente. Mas é que tornou-se impossível falar do que eu sinto, do turbilhão de emoções e acontecimentos que transformaram minha vida numa montanha russa, sem falar de você.
Ainda não sei se eu gosto. Quer dizer... quem gosta de incerteza? Eu sempre fico insegura com mudanças. Acho que é coisa de canceriano. Incertezas me deixam louca! Talvez porque eu mude tanto de opinião, sem o menor motivo, que acho sempre que todo mundo vai mudar. Ou talvez seja a sua própria inconstância.
Eu achava que estava feliz com a tranquilidade da minha vida no tempo que você esteve distante. Mas hoje, pensando bem, percebo que não sei o que aconteceu nesses meses. Minha vida parou no domingo de carnaval, por motivos que não cabem aqui, e recomeçou no último mês.
O que eu fiz? Quem eu conheci? O que aconteceu? Me lembro vagamente de levantar cedo às segundas feiras para frequentar um curso na USP. O resto me parece tão distante. É quase como se fossem sombras de um passado longinquo.
Pensando bem, acho que prefiro a incerteza. Prefiro a expectativa. Prefiro a vida. É muito chato deixar que os dias passem pela gente. Bom mesmo é passar pelos dias.
E, no final das contas, acho que desliguei porque sinto falta de aventuras. Sinto falta das nossas risadas, das idéias mirabolantes, dos planos que não se concretizam... Sinto falta de vida. Sinto falta de você. Só não sei até quando.
Monday, November 16, 2009
Sobre os próximos textos
Saudade

Saudade é palavra que só existe em português. Por que será? Será que só quem fala português sente saudades?
Eu não sou “uma pessoa de pessoas”, sou “uma pessoa de bichos”, ou seja, gosto mais de animais do que de gente. Talvez por isso, poucas pessoas me comovem e menos ainda me “tocam”. Mas acho que aquelas que o fazem são mágicas, porque de alguma maneira me encantam.
Eu descobri, quando tinha 15 anos, um lugar que me dava saudades quando eu ia embora. Uma única outra cidade onde eu gostaria demorar. E a vontade e a saudade eram tantas que me faziam enfrentar qualquer situação para ir para lá.
Demorei outros 18 anos para conhecer outro lugar assim. O mais engraçado é que o nome dos dois lugares é bem parecido. Ou melhor, quase o mesmo. Londrina e Londres.
Quando eu ia para Londrina, um amigo meu costumava dizer: “Odeio quando você vai para lá porque você volta com o capeta.”
É, eu ficava realmente irritada. Principalmente porque queria ter ficado por lá.
Quando eu voltei de Londres, passei dias sem querer contato com o mundo porque sabia que nada ia me satisfazer.
O mais engraçado é que vivo querendo voltar para Londres, mas percebi que vivo fugindo de Londrina. Descobri que há anos invento desculpas para não voltar lá. Não era porque eu não tinha tempo, não era porque eu não tinha dinheiro. Era simplesmente porque eu não queria ter que vir embora e lidar com tudo aquilo de novo.
Uma droga, mas é verdade: eu vivo fugindo das coisas. E, se não posso fugir da saudade, não sou eu quem vai enfrentá-la.
Ridículo! Péssimo! Porque seu parasse com isso iria perceber que posso ir mais vezes e assim, matéria a saudade mais rápido e não ficaria sofrendo porque depois de ir embora, encontrar tudo de novo, só após 12 meses.
Viveria mais feliz, teria mais histórias para contar, alcançaria outros objetivos. No mínimo escreveria mais.
Mas, que fique bem claro. As cidades são metáforas. Afinal, sempre estarão lá. São as pessoas que moram por lá ou que passaram por lá, ou que moram em qualquer outro lugar.
E pensar que, quando eu estiver acostumando... acontece tudo de novo...
Apertando o pause...

Ultimamente dei de pensar na vida de novo. Na verdade, ultimamente, dei para pensar em você. E se sob algum aspecto isso parece ser coisa de apaixonado, quando o sujeito da frase sou eu, passa a ser sinal de que as coisas vão mal.
Passei dois dias sonhando como seria bom. No terceiro, acordei. E, cansada como quem dormiu com um gato imenso deitado sobre as costas*, senti o sino da intuição tocando. Espero que você me surpreenda, mas a experiência anterior me diz que não. Até porque em cinco minutos de conversa consegui identificar traços de um passado que eu tinha conseguido deixar para trás. Mas, aí vem você de novo, com seu jeito manhoso e eu novamente perdendo a razão.
Sim, perdendo a razão, porque a vingança há muito ficou para trás. Aliás, vingança maior seria dispensá-lo. “Pode ficar com ele, porque eu já não quero mais.”
Mas isso já é outra história. E, se por um lado eu penso em como gostaria de estar com você, por outro, como disse antes, comecei a ponderar. Comecei a ensaiar para tomar coragem. Uma coragem que começa como idéia pequenininha, vai crescendo, tomando forma, criando personalidade e, de repente, já tem vida própria.
Já passei por isso. Demorei seis meses, mas de repente minha coragem ganhou vida e saiu atropelando tudo o que me incomodava. Inclusive meu relacionamento.
Foram seis meses analisando prós e contras e, no final, os contras ganharam de goleada.
Hoje, nas conversas que travei com você na minha cabeça, os prós saíram de campo derrotados. Nossa situação já não me era mais suficiente.
Se as coisas mudarem, espero que a coragem pegue a insatisfação e leve para um grande passeio, mas que estejam sempre ao alcance das mãos caso eu precise.
Mas, se tudo tomar o rumo que eu suspeito, espero que a coragem amadureça antes de seu tempo.
Pode não parecer justo, pode não ser o que eu mais quero. Mas é o melhor. Pelo menos para mim. Quem sabe assim você acorda e percebe que, no final das contas, quem está sozinho é você.
* Eu tinha um gato que costumava dormir sobre minhas costas toda vez que eu deitava de bruços. Ele era grande e pesado e quando eu acordava, parecia que ia morrer.
Thursday, September 17, 2009
Carta Aberta a um Babaca

Oi...
Como vão as coisas? Bem? Espero que sim.
Andei pensando em tudo o que a gente passou e tudo o que a gente fez nos últimos três anos. Engraçado. No fundo, quando seu irmão atendeu o telefone ontem, eu já sabia. Sabia porque, na verdade, sempre soube. Sempre soube que você ia ficar com ela. Sabia que você ia voltar. Que podíamos fazer de tudo, mas no fim, não íamos ficar juntos.
Mas, não culpo você. Você é um babaca sacana, isso é fato. Mas, a idiota, sou eu. Porque sempre soube e insisti no erro. No fundo, nunca me importei de verdade. Era uma espécie de acordo entre cavalheiros. A gente se divertia, você me divertia, então estava tudo certo.
Eu sabia que você não ia ficar, porque no primeiro domingo, quando você me ligou duzentas vezes eu aproveitei que você estava meio bêbado (meio ou totalmente?) e te perguntei, no meio de uma serie de outras perguntas, quando você ia voltar. Sua resposta? Que você não sabia. Não tinha pensado nisso. Ha ha ha! Ponto pra mim! Eu falo: meu sexto sentido nunca falha. Mas, quando se trata de você, nem sei se é sexto sentido. Acho que é mais, fruto da experiência.
Pior de tudo é que nem tenho raiva de você. Tenho mais de mim. De você, tenho pena. Pena porque você tem 28 anos e nem sabe o quer da vida. Pena porque você não consegue terminar nada que começa. Não termina namoro, não termina a faculdade, não termina nem comigo. Foge! Foge da faculdade, foge dos problemas, foge do Chile, foge da Daniela, foge de mim. Ha ha ha! Chega a ser impressionante perceber como você tem medo de tudo.
É obvio que você já me magoou. E muito. Mas, como eu disse. A culpa é só minha. Eu permiti. Porque sempre soube que você era assim. Desde as primeiras vezes em que saímos. Será que alguma coisa que você me disse era verdade? Já não sei nem se o que você me falava sobre ela era verdade... Era tudo tão clichê do adultério. Será que você já disse alguma verdade para alguém? Pare de mentir pras pessoas. Mas, sobretudo, pare de mentir para si mesmo. Você está vivendo uma mentira. Fugir para o Chile não vai resolver seus problemas. Se fugir resolvesse qualquer problema, acredite: eu já teria ido para Londres há muito tempo. Sim, porque se é pra fugir, que seja em grande estilo.
Lembra quando eu te disse que tinha tomado minha decisão? Então... eu menti. Minha decisão não era pagar pra ver como eu te disse. Era acabar com você e contar tudo, desde o princípio para a Daniela. Inclusive enviando os e-mails que você me enviava. Mas eu não sou assim. Sou malvada, mas não assim. E, principalmente não sou idiota. Não vou me transformar numa vadia daquelas que ligavam na minha casa para infernizar a vida de todo mundo. Não... eu sou melhor que isso.
No seu caso, minha melhor vingança vai ser ver vocês dois juntos. Porque vocês se merecem. Para que uma relação funcione é preciso um sádico e um masoquista. E vocês são perfeitos um para o outro.
Ela porque vai ter um cara que vai ser sempre infiel. Você porque vai estar sempre ao lado de alguém que diz que “você é um bosta, que não é homem, que não faz nada direito” (lembra disso? Ou será que era mais uma mentira sua?).
Bem, é isso. Espero que vocês sejam felizes. Mantenha contato quando estiver no Brasil. Ou mesmo no Chile. Não tenho magoas de você.
E como eu disse: não vou fazer nada contra você. No fundo eu continuo sendo uma idiota que acha que você pode ser um cara legal. E não é que no final das contas a música da Pitty estava certinha?
“Tantas decepções eu já vivi
Aquela foi de longe a mais cruel
Um silêncio profundo e declarei:
“Só não desonre o meu nome”
Pra mim, a dor maior foi ver que você me excluiu do seu Orkut. Parece bobo, mas foi quando você mais me magoou em todo esse tempo.
“Prenez soin de de vous” (sabe o que significa isso? Conhece a história dessa frase? Não? Então, dê-se ao trabalho de conhecer um pouco mais sobre as coisas e dê uma procuradinha no Google.
Espero que você seja feliz.
Mantenha contato!
Bjos
(Bem, minha decisão, hoje, é essa. Mas sabe como é, não? Eu sou canceriana, mudo de humor conforme muda a lua. Amanhã, quem sabe pode ser outra...)
Friday, September 11, 2009
Mercadoria indisponível
É tempo de minhocas na cabeça. E o que me impressiona, na verdade, não é a existência dessas minhocas já que elas praticamente são parte integrante da minha vida. Mas, sim, como elas ainda me assustam.
É fato. Não consigo curtir os bons momentos. Para mim, talvez por experiências passadas, bons momentos são seguidos de grandes decepções. Claro que, em geral, os períodos de depressão impulsionam meu trabalho. É quando fico mais produtiva e, assim, quando ganho mais dinheiro. As idéias brilhantes surgem, a vontade de ir embora serve de alavanca para novos projetos.
Eu tinha me decidido deixar de lado as caraminholas e tentar viver o momento. Mas, a verdade nua e crua é que sou absurdamente ciumenta. E meu sexto sentido funciona como um radar. Ele não é apenas um sininho de desconfiança. Aprendi a confiar nele como confio na visão e na audição. Em geral, quando ele apita é, realmente, sinal de fogo. É um alarme de incêndio verdadeiro.
Não sei porque insisto
Eu achava que sentia falta, mas na realidade não entendia que minha vida estava seguindo o curso, normalmente, sem nenhum stress.
É como me disseram outro dia: “Se eu quisesse comprar, já teria comprado faz tempo”. Ok, that’s it. I’m calling it quit. And living with that. A propósito. O problema de não comprarmos uma coisa na hora é que, quando tomarmos a decisão, talvez a mercadoria não esteja mais disponível.
Sunday, November 30, 2008
The end has no end
Certeza que isso é efeito de um blog triste até umas horas que eu li noites atrás, somada com a sensação de não saber o que fazer da vida. Sabe aquela coisa que vc quis durante tanto tempo, daí consegue e não sabe o que fazer?
Tuesday, November 11, 2008
Nós provamos que Murphy estava errado
A coisa toda já dava mostras de que não ia andar bem uma semana antes do Festival um quando num telefonema combinamos de ficar num hotel. Minha intenção inicial era ir, assistir aos shows e voltar para Ribeirão na mesma noite. Mas, pedido de amiga não se recusa e decidimos pela hospedagem em algum lugar próximo de uma estação do metrô ou que não ficasse tão longe da tal Vila dos Galpões.
O problema é que parece que meio mundo estaria em São Paulo no mesmo final de semana e os hotéis com preços e quartos razoáveis localizados nas proximidades das estações do metrô estavam todos lotados. E agora? Optamos por um que era um pouco mais caro, mas resolveria nosso problema. Reserva feita, passagem comprada, finalmente chega o tão aguardado dia. E aí sim Murphy resolveu dar suas caras.
Saí de Ribeirão às 13h00, com destino a São Paulo e chegada prevista para as 17h05. Só esqueceram de avisar o motorista, que foi parando em todos os pontos da estrada para pegar outros motoristas, policiais e passageiros; e a torcida do São Paulo que, voltando de um jogo congestionou a Marginal do Tietê em pleno sábado. Assim, nosso horário que já era apertado ficou ainda pior. E também foi assim que, ligando para a Dri para avisar que estava chegando, descobri que o hotel simplesmente sumiu com nossa reserva e a gente estava, literalmente, na rua. Com tempo para raciocinar dentro do ônibus parado eu só conseguia pensar: “bem, na pior das hipóteses, nós deixamos nossas coisas num guarda-volumes na rodoviária e corremos para o show”.
Enfim, com isso tudo, além de eu atrasar para chegar na rodoviária a Dri também ia atrasar para me buscar e o intervalo até o horário do show, que era de 3h30, passou a ser de 2h30. Isso em Ribeirão Preto é uma vida, mas em SP...
Mas nós estávamos determinadas a chegar para assistir o show de Jesus and Mary Chain e era isso que faríamos. Na última hora, já na rodoviária, a Dri conseguiu o telefone de um hotel que ainda tinha vagas. Rumamos correndo para lá, entre metrô e táxis, com mochilas e muita, mas muita, ansiedade. Eu tinha certeza que ia dar tudo certo no final, mas minha companheira de aventura, coitada... estava desesperada. Ela ia basicamente para ver o show do Jesus.
No final, conseguimos um quarto e só passamos nele, mesmo, para deixar as mochilas. Descemos correndo, rumamos para a estação do metrô e, quando parecia que tudo estava correndo bem, descobrimos que a van que faz a baldeação entre duas estações de metrô que não são interligadas, simplesmente não funciona de final de semana. Era o fim... já era 19h50 mais ou menos e só tínhamos quarenta minutos. Definitivamente parecia que todas as Leis de Murphy estavam dispostas a nos mostrar quem é que mandava afinal. Mas, com a mesma determinação que eu havia dito em Londres que “não tinha ido até ali para ser derrotada por um sapato”, eu não estava disposta a ser derrotada por imprevistos. Ainda que eu não fizesse questão de assistir ao show de Jesus and Mary Chain. Corre, pede informação, pega táxi. Vai dar tudo certo agora, ok? Não. Porque apesar de todas as lendas afirmarem que motoristas de táxi em São Paulo conhecem bem a cidade, acho que pegamos justamente um que não sabia nem onde ficava o nariz. Não conhecia a Vila dos Galpões, não sabia ir a Santo Amaro e, pior, não sabia chegar na estação de trem mais próxima. O tempo corria... o trânsito parava. Para completar, ele pára o carro no meio da Marginal e diz: “Vou deixar vocês por aqui porque não sei onde é a entrada da estação. Vocês vão ter que perguntar.”
Tudo bem! Qualquer coisa é melhor que um taxista perdido. Assim, correndo da direita para a esquerda no meio da Marginal, perguntando onde era a entrada da estação, parecíamos duas baratas tontas. Até que uma outra garota vinha na direção oposta e resolvemos perguntar para ela. A resposta: “Eu também não sei. Parecer ser ali, mas está tudo fechado. E o pior é que estou atrasada para ir ao show do Jesus and Mary Chain.”
Ohhhhhhhhhhhhh God!!! Finalmente alguma coisa parecia dar certo. Mas a essa altura já eram umas 20h10. O que fazer então? Da-lhe táxi. Por sorte, dessa vez, um que sabia aonde ir. Sorte, porque nós três, que não nos conhecíamos arrumamos assuntos incríveis. De Tim Festival a Planeta Terra, de The Killers a Amy Winehouse, shows, cambistas, músicas, tudo foi assunto. Mas, a verdade, acho que falar sem parar era o antídoto para a ansiedade que tomava conta das três. E se não der tempo?
Mas deu! Chegamos quando Jesus tocava a primeira música.
Assistimos a todos os shows que queríamos. E, no final, fomos para casa de alma lavada com a certeza de termos provado a Murphy que ele estava errado. Afinal, nem tudo que pode dar errado vai dar errado da pior maneira possível. No nosso caso, tudo que podia dar errado acabou dando certo da melhor maneira possível.
Como música

Mas tem gente que não basta ser música. Tem gente que é banda. Eu conheço pelo menos uma meia dúzia dessas. E uma delas é Los Hermanos do começo ao fim.
Batida simples, letra fácil, sentimentos a flor da pele.
Tem dias que está como “O Vento”, em outros é pura “Condicional”. Tem noites que é “Cara Estranho”, em outras é “O Vencedor”. Tem épocas que é “Eu vou tirar você desse lugar”, têm outras que diz “Vá embora”. Tem períodos de “Morena” e outros de “Todo Carnaval tem seu fim”.
Inconstante, incerto e deliciosamente intenso.
Como um disco de Los Hermanos, que se ouve do começo ao fim, sem parar, e com direito a repeat no final.
Sunday, September 28, 2008
Me and the Music

É diferente, por exemplo, de Wonderful Woman, dos Smiths, que eu sei exatamente o que sinto, o que eu gostaria de fazer, cada vez que ouço. Aliás, é bem diferente de Smiths de uma forma geral. Eu já disse em outro texto que Morrissey consegue me levar onde quer que ele queira simplesmente com o som da sua voz.
Essas tais outras músicas, que fazem parte de uma listinha bem grande, eu não sei o que fazer, como classificar. Só sei que gosto muito e o que sinto quando ouço depende muito do momento. Se estou feliz, tenho vontade de cantar, andar pelo parque, correr na chuva, girar de braços abertos no meio da rua feito boba. Em compensação, se estou triste, tenho vontade de ficar sentada na janela enquanto olho o cinza de um dia chuvoso, daqueles em que se você sai na rua é simplesmente para poder chorar sem que ninguém perceba, ou chorar no chão da cozinha como diz Amy Winehouse.
Uma dessas é The Hardest Part, do Cold Play. E embora Cris Martin seja daqueles caras com vozes que tem o poder de me fazer viajar e The Hardest Part seja absurdamente triste, tem dias que o som dos teclados e o clima da música me fazem ter vontade de sair correndo sentindo o vento no rosto, com aquela sensação de alívio que a gente sente quando passa por um fim de relacionamento muito ruim e, de repente, percebe que tudo o que você sentia foi embora. Simples assim, como que por encanto, como que através de um “click” do controle remoto. Em outros... ah, em outros...
Outra que se encaixa perfeitamente no quadro é “Read My Mind”, do The Killers. Há dias que tudo o que quero quando ouço é cantar “I don’t mind if you don’t mind” e receber um “I don’t shine if you don’t shine” como resposta. Sonhar com amores possíveis ou impossíveis, em lugares distantes, encontros em aeroportos, estações de trem, cartas, cartões, Encontros e Desencontros, como aquele de Scarlett Johansson e Bill Murray, com gente que gosta do mesmo que eu, com coisas que eu não precise explicar, com tanta coisa sem sentido, ou com tanto sentido que se torna incompreensível. Em outros, basta ouvir “On the corner of main street” para ter vontade de sair correndo, cavar um buraco tão fundo que me permitisse chegar à China, sem passar pelo calor do centro da Terra, subir na passarela mais alta da Tower Bridge e me jogar no Tâmisa ou definhar no melhor estilo “Romântico da Segunda Geração”.
Mas, de todas, acho que a mais ambígua é She’s a Rainbow, dos Rolling Stones. Em geral ela me despertava uma incrível vontade de usar roupas coloridas e sair saltitando (talvez por causa de uma propaganda que tinha essa música como trilha), mas também por causa da letra. Mas, em compensação, essa é a única com uma explicação lógica. Depois de ouvi-la no avião, na volta da Inglaterra, quando todos os sentimentos do mundo, toda a saudade do mundo, toda a tristeza do planeta está concentrada na garganta e você tem que pensar em alguma coisa absurda para não chorar porque é noite e não dá para usar óculos escuros, fica difícil manter uma relação só de felicidade com a música.
Ontem foi dia de felicidade. Hoje é dia de tristeza. Amanhã, só Deus sabe, mas espero sinceramente que os dias de “vontade de rir sozinha” sejam sempre em maior número. Eu tenho queda para tristeza, para o cinza, para chuva e com tanto tempo disponível ficar assim não é nada animador...
Sunday, August 31, 2008
Amizade instantânea

Existem pessoas com as quais a gente convive uma vida inteira e, por mais que se saiba e acompanhe praticamente tudo o que acontece com elas não se sente a vontade nunca. É como se uma barreira nos separasse delas, como se algo impedisse a aproximação completa. Em compensação, existem outras com as quais bastam apenas dois segundos de convivência, o tempo exato entre “oi, eu sou fulano” e “prazer, eu sou cicrano”, para que você tenha a sensação de toda uma vida de convivência. É como se não fosse uma apresentação, mas um reencontro de de amigos que se conhecem há séculos.
E foi assim, entre tomadas ligadas no 240, “ta ligado?”, “não é verdade?”, “vamo aí, vamo aí” e uma série de outras frases repetidas no mínimo duzentas vezes por segundo que o cara (ainda não era O CARA) que EU achava que devia SE achar “a última bolacha do pacote” ou “a bala que matou o Kennedy”, se revelou uma incrível surpresa na viagem.
Foram “ônibus de dúzia”, “morrer de árvore e ter sorte por estar no ônibus indo para casa”, “vamos por aqui que a gente sai do carnaval” e cair no meio do desfile, “ali fica Trafalgar Square”, “eu sei, já fui lá”, “foi mal”, “vamos nesse pub”, “Dri, troca a passagem”, “Dri, você tinha que ficar mais”, “ninguém acredita em mim quando eu falo isso”, “eu sou O cara que mudou sua vida”, “eu sou O cara que te levou pro outro lado do mundo”, “aqui nesse lugar eu vi o fulano”, “do you mind a picture?”, “eu sou difícil”, “isso não passa pelo crivo da minha razão” e uma série de outras coisas que transformaram uma segunda-feira, ou melhor um Bank Holiday, que seria mais um dia de turismo em Londres, num dia de milhões de risadas e passeios que não íamos fazer sozinhas.
Foram telefonemas, fotos, bagunça. Nossa imaginação fértil (minha e da Ligia) imaginando a chegada triunfal da pessoa que ia nos encontrar no hotel antes da gente ir embora (“de onde será que ele vem?”, “como será que ele vem?”, “eu acho que ele vem de bike”, “se ele fosse um super-herói seria o “Flash”). E assim, acabamos ficando todos “alcoolicamente bem dispostos” quase na hora de ir embora.
Conhecer gente assim é o tipo de coisa que torna as viagens mais interessantes, mas torna as voltas para casa mais chatas. Isso porque por mais que você fale milhões de palavras por segundo (e aqui estamos falando de duas pessoas que falam muito e muito rápido), ainda faltam duzentos trilhões de assuntos, porque por mais que você faça planos para a próxima viagem, você sabe que isso vai demorar séculos para acontecer.
Ao mesmo tempo é o tipo de coisa que te faz morrer de rir quando a fila para entrar no avião está parada ou o ônibus não sai do lugar e você começa a imitar a pessoa dizendo “vamo aí, vamo aí, busão” e o povo em volta saca que você está falando de algo que aconteceu na sua viagem e começa a rir, achando graça e provavelmente lembrando de algo que aconteceu na deles.
Enfim, tem gente que é assim, inesquecível mesmo que esteja longe. Porque afinal, dizem por aí que “a primeira vez a gente nunca esquece”, embora eu, particularmente tenha algumas ressalvas contra isso... Mas, vamos dar crédito à sabedoria popular e, sendo assim, como é que você esquece “a primeira vez que foi para o outro lado do mundo e quem te levou para lá?” Impossível!
This one is for you, HS man!
Friday, May 16, 2008
Relacionamentos, Carnaval e Los Hermanos

Escrever, para mim, é prazer e não gosto de misturar com “obrigação” quando não faço isso para me sustentar. Por isso não me importo em demorar a atualizar sites, blogs e fotologs. Também por isso, talvez, eu tenha me assustado com o pedido “escreve sobre Los Hermanos? Fz um texto para mim, ou sobre ma música que tenha a ver comigo”. Eu nunca tinha escrito um texto desse tipo sob encomenda.
Mas no correr do dia e conforme as horas passavam, a idéia martelava cadenciadamente na minha cabeça. “O que eu vou escrever sobre Los Hermanos, meu Deus?” Até que no meio da tarde, um telefonema me dava conta de que alguém perguntou sobre mim para uma amiga e questionou se eu “gostava de Los Hermanos”, utilizando isso como referência para me identificar, sei lá por que. “Opa! De novo? Em menos de dois dias? Acho melhor providenciar meu texto...”
Los Hermanos é uma banda de contradições. Despertou no “cenário indie” brasileiro e de repente arrebatava milhões de fãs que cantavam em coro, enlouquecidamente, o nome de uma “tal” Anna Julia. Até um Beatle entrou na onda quando George Harrison foi convidado por Jim Capaldi para tocar guitarra na versão em inglês. Pronto! Era o que bastava para que aqueles que ouviam antes do “estouro” passassem a renegar a banda. “Los Hermanos? De jeito nenhum. Ficaram muito pop.” No final, nem eles mesmos agüentavam mais a coisa e tiraram Anna Julia do repertório dos shows.
Eu não nego! Conheci Los Hermanos por essa música. Mas eu sou aquela que quando acha uma banda interessante vai atrás do trabalho dos caras. Foi assim com eles.
E, para mim, que sou chegada num lado meio “dark” (no sentido deprê da palavra) e em relacionamentos complicados e conturbados, existem dias em que não pode existir melhor trilha sonora.
Isso porque nem mesmo a levada meio carnavalesca ou a batida forte de algumas músicas esconde a tristeza das letras. Não existe final feliz em música do Los Hermanos (ou se existem, são raríssimos, e no momento, não me lembro de nenhum). Não existe relacionamento perfeito. Existem amores complexos, dores, despedidas, traições. E se juntarmos a isso a melancolia que os timbres de Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante e os acordes dos metais emprestam às canções...
Eles cantaram tão bem o desespero dos traídos, dos desprezados, dos que se apaixonaram pela pessoa errada, mas nem isso faz a gente morrer de tristeza quando ouve. Na verdade, quem freqüentava os antigos bailes de carnaval reconhece em seus shows e CDs a sensação indescritível de saudade de algo que ainda não acabou, típica da terça-feira gorda... Aquela coisa de pensar “ai ai... acaba hoje e depois só no ano que vem.”
O que difere Los Hermanos de outras bandas, na minha vida, é que eu não ouço desesperadamente o tempo todo, só em algumas situações, e também que sei qual é minha música preferida. E é justamente ela que me lembra a pessoa que pediu o texto: Condicional. Simplesmente porque ela fala de sentimento de posse. Daquele que toma conta de quem gosta de alguém (“... eu sei é um doce te amar, o amargo é querer-te pra mim...). E também sobre as maravilhas de se dar liberdade a quem se gosta (“... sei, tanto te soltei que você me quis em todo lugar...”).
Já foi a música da minha vida em dois momentos: um de posse e outro de liberdade. Hoje é simplesmente uma música que eu gosto muito. Assim mesmo, sem vergonha de admitir.
Pena que tenham se separado, ou estejam em stand by. Mas como eles mesmos já cantaram... “Todo carnaval tem seu fim”, era de se esperar que esse também tivesse.

