Thursday, September 17, 2009

Carta Aberta a um Babaca


Oi...

Como vão as coisas? Bem? Espero que sim.
Andei pensando em tudo o que a gente passou e tudo o que a gente fez nos últimos três anos. Engraçado. No fundo, quando seu irmão atendeu o telefone ontem, eu já sabia. Sabia porque, na verdade, sempre soube. Sempre soube que você ia ficar com ela. Sabia que você ia voltar. Que podíamos fazer de tudo, mas no fim, não íamos ficar juntos.
Mas, não culpo você. Você é um babaca sacana, isso é fato. Mas, a idiota, sou eu. Porque sempre soube e insisti no erro. No fundo, nunca me importei de verdade. Era uma espécie de acordo entre cavalheiros. A gente se divertia, você me divertia, então estava tudo certo.
Eu sabia que você não ia ficar, porque no primeiro domingo, quando você me ligou duzentas vezes eu aproveitei que você estava meio bêbado (meio ou totalmente?) e te perguntei, no meio de uma serie de outras perguntas, quando você ia voltar. Sua resposta? Que você não sabia. Não tinha pensado nisso. Ha ha ha! Ponto pra mim! Eu falo: meu sexto sentido nunca falha. Mas, quando se trata de você, nem sei se é sexto sentido. Acho que é mais, fruto da experiência.
Pior de tudo é que nem tenho raiva de você. Tenho mais de mim. De você, tenho pena. Pena porque você tem 28 anos e nem sabe o quer da vida. Pena porque você não consegue terminar nada que começa. Não termina namoro, não termina a faculdade, não termina nem comigo. Foge! Foge da faculdade, foge dos problemas, foge do Chile, foge da Daniela, foge de mim. Ha ha ha! Chega a ser impressionante perceber como você tem medo de tudo.
É obvio que você já me magoou. E muito. Mas, como eu disse. A culpa é só minha. Eu permiti. Porque sempre soube que você era assim. Desde as primeiras vezes em que saímos. Será que alguma coisa que você me disse era verdade? Já não sei nem se o que você me falava sobre ela era verdade... Era tudo tão clichê do adultério. Será que você já disse alguma verdade para alguém? Pare de mentir pras pessoas. Mas, sobretudo, pare de mentir para si mesmo. Você está vivendo uma mentira. Fugir para o Chile não vai resolver seus problemas. Se fugir resolvesse qualquer problema, acredite: eu já teria ido para Londres há muito tempo. Sim, porque se é pra fugir, que seja em grande estilo.
Lembra quando eu te disse que tinha tomado minha decisão? Então... eu menti. Minha decisão não era pagar pra ver como eu te disse. Era acabar com você e contar tudo, desde o princípio para a Daniela. Inclusive enviando os e-mails que você me enviava. Mas eu não sou assim. Sou malvada, mas não assim. E, principalmente não sou idiota. Não vou me transformar numa vadia daquelas que ligavam na minha casa para infernizar a vida de todo mundo. Não... eu sou melhor que isso.
No seu caso, minha melhor vingança vai ser ver vocês dois juntos. Porque vocês se merecem. Para que uma relação funcione é preciso um sádico e um masoquista. E vocês são perfeitos um para o outro.
Ela porque vai ter um cara que vai ser sempre infiel. Você porque vai estar sempre ao lado de alguém que diz que “você é um bosta, que não é homem, que não faz nada direito” (lembra disso? Ou será que era mais uma mentira sua?).
Bem, é isso. Espero que vocês sejam felizes. Mantenha contato quando estiver no Brasil. Ou mesmo no Chile. Não tenho magoas de você.
E como eu disse: não vou fazer nada contra você. No fundo eu continuo sendo uma idiota que acha que você pode ser um cara legal. E não é que no final das contas a música da Pitty estava certinha?

“Tantas decepções eu já vivi
Aquela foi de longe a mais cruel
Um silêncio profundo e declarei:
“Só não desonre o meu nome”

Pra mim, a dor maior foi ver que você me excluiu do seu Orkut. Parece bobo, mas foi quando você mais me magoou em todo esse tempo.

“Prenez soin de de vous” (sabe o que significa isso? Conhece a história dessa frase? Não? Então, dê-se ao trabalho de conhecer um pouco mais sobre as coisas e dê uma procuradinha no Google.

Espero que você seja feliz.
Mantenha contato!

Bjos

(Bem, minha decisão, hoje, é essa. Mas sabe como é, não? Eu sou canceriana, mudo de humor conforme muda a lua. Amanhã, quem sabe pode ser outra...)

Friday, September 11, 2009

Mercadoria indisponível


É tempo de minhocas na cabeça. E o que me impressiona, na verdade, não é a existência dessas minhocas já que elas praticamente são parte integrante da minha vida. Mas, sim, como elas ainda me assustam.

É fato. Não consigo curtir os bons momentos. Para mim, talvez por experiências passadas, bons momentos são seguidos de grandes decepções. Claro que, em geral, os períodos de depressão impulsionam meu trabalho. É quando fico mais produtiva e, assim, quando ganho mais dinheiro. As idéias brilhantes surgem, a vontade de ir embora serve de alavanca para novos projetos.

Eu tinha me decidido deixar de lado as caraminholas e tentar viver o momento. Mas, a verdade nua e crua é que sou absurdamente ciumenta. E meu sexto sentido funciona como um radar. Ele não é apenas um sininho de desconfiança. Aprendi a confiar nele como confio na visão e na audição. Em geral, quando ele apita é, realmente, sinal de fogo. É um alarme de incêndio verdadeiro.

Não sei porque insisto em acessar Orkut e etc. Não sei porque insisto em me iludir a respeito de algumas pessoas. Elas não vão mudar. Simples assim. Então, por que eu insisto? Por que ficar cometendo o mesmo erro insistentemente. Às vezes tenho a impressão de estar presa no mesmo dia, como naquele filme “O Feitiço do Tempo”. No meu caso, não é um dia, são situações. Tudo começa igual, tudo termina igual.

Eu achava que sentia falta, mas na realidade não entendia que minha vida estava seguindo o curso, normalmente, sem nenhum stress.

É como me disseram outro dia: “Se eu quisesse comprar, já teria comprado faz tempo”. Ok, that’s it. I’m calling it quit. And living with that. A propósito. O problema de não comprarmos uma coisa na hora é que, quando tomarmos a decisão, talvez a mercadoria não esteja mais disponível.

Sunday, November 30, 2008

The end has no end


Meu por-do-sol favorito dentre os mais de 150.745 da minha vida. Pq até hoje não existiu nenhum outro em que eu estivesse no lugar que eu desejei conhecer. Não dava para ver o sol se pondo, sendo engolido pelas águas do mar e o céu ficando laranja, até se tornar azul escuro pontuado por milhões de estrelinhas. Mas tinha o céu meio acinzentado de um dia nublado de Londres, o Tâmisa a minha frente e, também, às minhas costas, o Big Ben imponente ao fundo, e as luzes que começavam a acender. Porque dia 28 de novembro fez três meses que eu coloquei os pés de novo no Brasil, mas isso não tem nada a ver com a história.

Tem mais a ver com uma certa sensação de tristeza que eu não sei de onde é. Ou melhor, sei porque meu sexto sentido não falha nunca. Vem da certeza de que certas coisas têm que acabar e que muitas vezes, apesar da relutâncianós mesmos é que temos que colocar um fim. Elas simplesmente se recusam a morrer "de morte morrida"... E também da sensação de que no final das contas não dá tempo de fazer nada que a gente queira...

Aí, entra Londres... vontade de entrar no primeiro avião e voltar correndo pra lá. E dessa vez nem tem nada a ver com a cidade... ou com ter ido pra lá. É só pra fugir mesmo, pra algum lugar bem longe, onde mesmo que vc quisesse não conseguiria cometer os mesmos erros, da mesma maneira. Quer dizer... talvez até cometesse alguns parecidos. Mas pelo menos iam ter mais glamour. Já ouviu falar que "dinheiro não traz felicidade mas ajuda sofrer em Paris"? Então...no meu caso, em Londres.
Certeza que isso é efeito de um blog triste até umas horas que eu li noites atrás, somada com a sensação de não saber o que fazer da vida. Sabe aquela coisa que vc quis durante tanto tempo, daí consegue e não sabe o que fazer?

Então... um "misto de quero mais", de "como vou viver sem isso" com "preciso dar um fim nessa situação". Algo que sufoca e angustia e leva dias até se resolver e, para alguém imediatista como eu, pode ser a mais torturante angústia.

Tuesday, November 11, 2008

Nós provamos que Murphy estava errado


A coisa toda já dava mostras de que não ia andar bem uma semana antes do Festival um quando num telefonema combinamos de ficar num hotel. Minha intenção inicial era ir, assistir aos shows e voltar para Ribeirão na mesma noite. Mas, pedido de amiga não se recusa e decidimos pela hospedagem em algum lugar próximo de uma estação do metrô ou que não ficasse tão longe da tal Vila dos Galpões.
O problema é que parece que meio mundo estaria em São Paulo no mesmo final de semana e os hotéis com preços e quartos razoáveis localizados nas proximidades das estações do metrô estavam todos lotados. E agora? Optamos por um que era um pouco mais caro, mas resolveria nosso problema. Reserva feita, passagem comprada, finalmente chega o tão aguardado dia. E aí sim Murphy resolveu dar suas caras.
Saí de Ribeirão às 13h00, com destino a São Paulo e chegada prevista para as 17h05. Só esqueceram de avisar o motorista, que foi parando em todos os pontos da estrada para pegar outros motoristas, policiais e passageiros; e a torcida do São Paulo que, voltando de um jogo congestionou a Marginal do Tietê em pleno sábado. Assim, nosso horário que já era apertado ficou ainda pior. E também foi assim que, ligando para a Dri para avisar que estava chegando, descobri que o hotel simplesmente sumiu com nossa reserva e a gente estava, literalmente, na rua. Com tempo para raciocinar dentro do ônibus parado eu só conseguia pensar: “bem, na pior das hipóteses, nós deixamos nossas coisas num guarda-volumes na rodoviária e corremos para o show”.
Enfim, com isso tudo, além de eu atrasar para chegar na rodoviária a Dri também ia atrasar para me buscar e o intervalo até o horário do show, que era de 3h30, passou a ser de 2h30. Isso em Ribeirão Preto é uma vida, mas em SP...
Mas nós estávamos determinadas a chegar para assistir o show de Jesus and Mary Chain e era isso que faríamos. Na última hora, já na rodoviária, a Dri conseguiu o telefone de um hotel que ainda tinha vagas. Rumamos correndo para lá, entre metrô e táxis, com mochilas e muita, mas muita, ansiedade. Eu tinha certeza que ia dar tudo certo no final, mas minha companheira de aventura, coitada... estava desesperada. Ela ia basicamente para ver o show do Jesus.
No final, conseguimos um quarto e só passamos nele, mesmo, para deixar as mochilas. Descemos correndo, rumamos para a estação do metrô e, quando parecia que tudo estava correndo bem, descobrimos que a van que faz a baldeação entre duas estações de metrô que não são interligadas, simplesmente não funciona de final de semana. Era o fim... já era 19h50 mais ou menos e só tínhamos quarenta minutos. Definitivamente parecia que todas as Leis de Murphy estavam dispostas a nos mostrar quem é que mandava afinal. Mas, com a mesma determinação que eu havia dito em Londres que “não tinha ido até ali para ser derrotada por um sapato”, eu não estava disposta a ser derrotada por imprevistos. Ainda que eu não fizesse questão de assistir ao show de Jesus and Mary Chain. Corre, pede informação, pega táxi. Vai dar tudo certo agora, ok? Não. Porque apesar de todas as lendas afirmarem que motoristas de táxi em São Paulo conhecem bem a cidade, acho que pegamos justamente um que não sabia nem onde ficava o nariz. Não conhecia a Vila dos Galpões, não sabia ir a Santo Amaro e, pior, não sabia chegar na estação de trem mais próxima. O tempo corria... o trânsito parava. Para completar, ele pára o carro no meio da Marginal e diz: “Vou deixar vocês por aqui porque não sei onde é a entrada da estação. Vocês vão ter que perguntar.”
Tudo bem! Qualquer coisa é melhor que um taxista perdido. Assim, correndo da direita para a esquerda no meio da Marginal, perguntando onde era a entrada da estação, parecíamos duas baratas tontas. Até que uma outra garota vinha na direção oposta e resolvemos perguntar para ela. A resposta: “Eu também não sei. Parecer ser ali, mas está tudo fechado. E o pior é que estou atrasada para ir ao show do Jesus and Mary Chain.”
Ohhhhhhhhhhhhh God!!! Finalmente alguma coisa parecia dar certo. Mas a essa altura já eram umas 20h10. O que fazer então? Da-lhe táxi. Por sorte, dessa vez, um que sabia aonde ir. Sorte, porque nós três, que não nos conhecíamos arrumamos assuntos incríveis. De Tim Festival a Planeta Terra, de The Killers a Amy Winehouse, shows, cambistas, músicas, tudo foi assunto. Mas, a verdade, acho que falar sem parar era o antídoto para a ansiedade que tomava conta das três. E se não der tempo?
Mas deu! Chegamos quando Jesus tocava a primeira música.
Assistimos a todos os shows que queríamos. E, no final, fomos para casa de alma lavada com a certeza de termos provado a Murphy que ele estava errado. Afinal, nem tudo que pode dar errado vai dar errado da pior maneira possível. No nosso caso, tudo que podia dar errado acabou dando certo da melhor maneira possível.

Como música


Gente é como música. Umas são samba, outras são rock. Algumas são funk, outras são sertaneja. Há aquelas que são ópera e outras tantas que são um bom e velho tango. Existem as clássicas e as bregas; as depressivas e as felizes. E basta ficar atento para detectar a qual gênero melhor se encaixam. É claro que também existem as variações diárias. É possível acordar funk e terminar tango ou começar um ano clássico e acabar brega.
Mas tem gente que não basta ser música. Tem gente que é banda. Eu conheço pelo menos uma meia dúzia dessas. E uma delas é Los Hermanos do começo ao fim.
Batida simples, letra fácil, sentimentos a flor da pele.
Tem dias que está como “O Vento”, em outros é pura “Condicional”. Tem noites que é “Cara Estranho”, em outras é “O Vencedor”. Tem épocas que é “Eu vou tirar você desse lugar”, têm outras que diz “Vá embora”. Tem períodos de “Morena” e outros de “Todo Carnaval tem seu fim”.
Inconstante, incerto e deliciosamente intenso.
Como um disco de Los Hermanos, que se ouve do começo ao fim, sem parar, e com direito a repeat no final.

Sunday, September 28, 2008

Me and the Music


Eu, definitivamente, tenho uma relação muito estranha com a música. Com algumas, em particular, eu simplesmente não consigo sequer definir a sensação que elas me despertam quando ouço.
É diferente, por exemplo, de Wonderful Woman, dos Smiths, que eu sei exatamente o que sinto, o que eu gostaria de fazer, cada vez que ouço. Aliás, é bem diferente de Smiths de uma forma geral. Eu já disse em outro texto que Morrissey consegue me levar onde quer que ele queira simplesmente com o som da sua voz.
Essas tais outras músicas, que fazem parte de uma listinha bem grande, eu não sei o que fazer, como classificar. Só sei que gosto muito e o que sinto quando ouço depende muito do momento. Se estou feliz, tenho vontade de cantar, andar pelo parque, correr na chuva, girar de braços abertos no meio da rua feito boba. Em compensação, se estou triste, tenho vontade de ficar sentada na janela enquanto olho o cinza de um dia chuvoso, daqueles em que se você sai na rua é simplesmente para poder chorar sem que ninguém perceba, ou chorar no chão da cozinha como diz Amy Winehouse.
Uma dessas é The Hardest Part, do Cold Play. E embora Cris Martin seja daqueles caras com vozes que tem o poder de me fazer viajar e The Hardest Part seja absurdamente triste, tem dias que o som dos teclados e o clima da música me fazem ter vontade de sair correndo sentindo o vento no rosto, com aquela sensação de alívio que a gente sente quando passa por um fim de relacionamento muito ruim e, de repente, percebe que tudo o que você sentia foi embora. Simples assim, como que por encanto, como que através de um “click” do controle remoto. Em outros... ah, em outros...
Outra que se encaixa perfeitamente no quadro é “Read My Mind”, do The Killers. Há dias que tudo o que quero quando ouço é cantar “I don’t mind if you don’t mind” e receber um “I don’t shine if you don’t shine” como resposta. Sonhar com amores possíveis ou impossíveis, em lugares distantes, encontros em aeroportos, estações de trem, cartas, cartões, Encontros e Desencontros, como aquele de Scarlett Johansson e Bill Murray, com gente que gosta do mesmo que eu, com coisas que eu não precise explicar, com tanta coisa sem sentido, ou com tanto sentido que se torna incompreensível. Em outros, basta ouvir “On the corner of main street” para ter vontade de sair correndo, cavar um buraco tão fundo que me permitisse chegar à China, sem passar pelo calor do centro da Terra, subir na passarela mais alta da Tower Bridge e me jogar no Tâmisa ou definhar no melhor estilo “Romântico da Segunda Geração”.
Mas, de todas, acho que a mais ambígua é She’s a Rainbow, dos Rolling Stones. Em geral ela me despertava uma incrível vontade de usar roupas coloridas e sair saltitando (talvez por causa de uma propaganda que tinha essa música como trilha), mas também por causa da letra. Mas, em compensação, essa é a única com uma explicação lógica. Depois de ouvi-la no avião, na volta da Inglaterra, quando todos os sentimentos do mundo, toda a saudade do mundo, toda a tristeza do planeta está concentrada na garganta e você tem que pensar em alguma coisa absurda para não chorar porque é noite e não dá para usar óculos escuros, fica difícil manter uma relação só de felicidade com a música.
Ontem foi dia de felicidade. Hoje é dia de tristeza. Amanhã, só Deus sabe, mas espero sinceramente que os dias de “vontade de rir sozinha” sejam sempre em maior número. Eu tenho queda para tristeza, para o cinza, para chuva e com tanto tempo disponível ficar assim não é nada animador...

Sunday, August 31, 2008

Amizade instantânea


Existem pessoas com as quais a gente convive uma vida inteira e, por mais que se saiba e acompanhe praticamente tudo o que acontece com elas não se sente a vontade nunca. É como se uma barreira nos separasse delas, como se algo impedisse a aproximação completa. Em compensação, existem outras com as quais bastam apenas dois segundos de convivência, o tempo exato entre “oi, eu sou fulano” e “prazer, eu sou cicrano”, para que você tenha a sensação de toda uma vida de convivência. É como se não fosse uma apresentação, mas um reencontro de de amigos que se conhecem há séculos.
E foi assim, entre tomadas ligadas no 240, “ta ligado?”, “não é verdade?”, “vamo aí, vamo aí” e uma série de outras frases repetidas no mínimo duzentas vezes por segundo que o cara (ainda não era O CARA) que EU achava que devia SE achar “a última bolacha do pacote” ou “a bala que matou o Kennedy”, se revelou uma incrível surpresa na viagem.
Foram “ônibus de dúzia”, “morrer de árvore e ter sorte por estar no ônibus indo para casa”, “vamos por aqui que a gente sai do carnaval” e cair no meio do desfile, “ali fica Trafalgar Square”, “eu sei, já fui lá”, “foi mal”, “vamos nesse pub”, “Dri, troca a passagem”, “Dri, você tinha que ficar mais”, “ninguém acredita em mim quando eu falo isso”, “eu sou O cara que mudou sua vida”, “eu sou O cara que te levou pro outro lado do mundo”, “aqui nesse lugar eu vi o fulano”, “do you mind a picture?”, “eu sou difícil”, “isso não passa pelo crivo da minha razão” e uma série de outras coisas que transformaram uma segunda-feira, ou melhor um Bank Holiday, que seria mais um dia de turismo em Londres, num dia de milhões de risadas e passeios que não íamos fazer sozinhas.
Foram telefonemas, fotos, bagunça. Nossa imaginação fértil (minha e da Ligia) imaginando a chegada triunfal da pessoa que ia nos encontrar no hotel antes da gente ir embora (“de onde será que ele vem?”, “como será que ele vem?”, “eu acho que ele vem de bike”, “se ele fosse um super-herói seria o “Flash”). E assim, acabamos ficando todos “alcoolicamente bem dispostos” quase na hora de ir embora.
Conhecer gente assim é o tipo de coisa que torna as viagens mais interessantes, mas torna as voltas para casa mais chatas. Isso porque por mais que você fale milhões de palavras por segundo (e aqui estamos falando de duas pessoas que falam muito e muito rápido), ainda faltam duzentos trilhões de assuntos, porque por mais que você faça planos para a próxima viagem, você sabe que isso vai demorar séculos para acontecer.
Ao mesmo tempo é o tipo de coisa que te faz morrer de rir quando a fila para entrar no avião está parada ou o ônibus não sai do lugar e você começa a imitar a pessoa dizendo “vamo aí, vamo aí, busão” e o povo em volta saca que você está falando de algo que aconteceu na sua viagem e começa a rir, achando graça e provavelmente lembrando de algo que aconteceu na deles.
Enfim, tem gente que é assim, inesquecível mesmo que esteja longe. Porque afinal, dizem por aí que “a primeira vez a gente nunca esquece”, embora eu, particularmente tenha algumas ressalvas contra isso... Mas, vamos dar crédito à sabedoria popular e, sendo assim, como é que você esquece “a primeira vez que foi para o outro lado do mundo e quem te levou para lá?” Impossível!
This one is for you, HS man!

Friday, May 16, 2008

Relacionamentos, Carnaval e Los Hermanos


Escrever, para mim, é prazer e não gosto de misturar com “obrigação” quando não faço isso para me sustentar. Por isso não me importo em demorar a atualizar sites, blogs e fotologs. Também por isso, talvez, eu tenha me assustado com o pedido “escreve sobre Los Hermanos? Fz um texto para mim, ou sobre ma música que tenha a ver comigo”. Eu nunca tinha escrito um texto desse tipo sob encomenda.
Mas no correr do dia e conforme as horas passavam, a idéia martelava cadenciadamente na minha cabeça. “O que eu vou escrever sobre Los Hermanos, meu Deus?” Até que no meio da tarde, um telefonema me dava conta de que alguém perguntou sobre mim para uma amiga e questionou se eu “gostava de Los Hermanos”, utilizando isso como referência para me identificar, sei lá por que. “Opa! De novo? Em menos de dois dias? Acho melhor providenciar meu texto...”
Los Hermanos é uma banda de contradições. Despertou no “cenário indie” brasileiro e de repente arrebatava milhões de fãs que cantavam em coro, enlouquecidamente, o nome de uma “tal” Anna Julia. Até um Beatle entrou na onda quando George Harrison foi convidado por Jim Capaldi para tocar guitarra na versão em inglês. Pronto! Era o que bastava para que aqueles que ouviam antes do “estouro” passassem a renegar a banda. “Los Hermanos? De jeito nenhum. Ficaram muito pop.” No final, nem eles mesmos agüentavam mais a coisa e tiraram Anna Julia do repertório dos shows.
Eu não nego! Conheci Los Hermanos por essa música. Mas eu sou aquela que quando acha uma banda interessante vai atrás do trabalho dos caras. Foi assim com eles.
E, para mim, que sou chegada num lado meio “dark” (no sentido deprê da palavra) e em relacionamentos complicados e conturbados, existem dias em que não pode existir melhor trilha sonora.
Isso porque nem mesmo a levada meio carnavalesca ou a batida forte de algumas músicas esconde a tristeza das letras. Não existe final feliz em música do Los Hermanos (ou se existem, são raríssimos, e no momento, não me lembro de nenhum). Não existe relacionamento perfeito. Existem amores complexos, dores, despedidas, traições. E se juntarmos a isso a melancolia que os timbres de Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante e os acordes dos metais emprestam às canções...
Eles cantaram tão bem o desespero dos traídos, dos desprezados, dos que se apaixonaram pela pessoa errada, mas nem isso faz a gente morrer de tristeza quando ouve. Na verdade, quem freqüentava os antigos bailes de carnaval reconhece em seus shows e CDs a sensação indescritível de saudade de algo que ainda não acabou, típica da terça-feira gorda... Aquela coisa de pensar “ai ai... acaba hoje e depois só no ano que vem.”
O que difere Los Hermanos de outras bandas, na minha vida, é que eu não ouço desesperadamente o tempo todo, só em algumas situações, e também que sei qual é minha música preferida. E é justamente ela que me lembra a pessoa que pediu o texto: Condicional. Simplesmente porque ela fala de sentimento de posse. Daquele que toma conta de quem gosta de alguém (“... eu sei é um doce te amar, o amargo é querer-te pra mim...). E também sobre as maravilhas de se dar liberdade a quem se gosta (“... sei, tanto te soltei que você me quis em todo lugar...”).
Já foi a música da minha vida em dois momentos: um de posse e outro de liberdade. Hoje é simplesmente uma música que eu gosto muito. Assim mesmo, sem vergonha de admitir.
Pena que tenham se separado, ou estejam em stand by. Mas como eles mesmos já cantaram... “Todo carnaval tem seu fim”, era de se esperar que esse também tivesse.

Friday, March 21, 2008

PQP!!! Perdi a paciência!!!


Confesso que se minha paciência já era pouca, agora foi para o espaço. Já não tenho mais paciência para os vira casacas, para baboseira romântica, pra apelidinhos ridículos, para Orkut de casal, para quem morre por alguém hoje e amanhã jura amor eterno para outra pessoa, para quem faz duas vezes a mesma pergunta estúpida, para responder quem é Amy Winehouse e The Smiths.

Não aguento mais explicar o que é indie ou responder quem me pergunta se todo "roqueiro" usa drogas.

Não suporto mais futilidade, mulher que acha que precisa comprar toda semana, fazer chapinha e andar grudada em homem para ser feliz, "posers" que ouvem duas músicas de alguém e já se acham PHD no assunto, fazendo citações como se tivessem ouvido aquilo a vida toda.

Não quero mais ter que responder por que eu leio Harry Potter, por que não vou ao cabeleireiro toda semana, por que faço as unhas em casa, por que não quero me casar porque bebo cerveja e falo uma tonelada de palavrões por dia.

Queria que as pessoas entendessem que eu sou feliz assim, com meus livros, minha música e um bom ATT, sem compromisso, sem me matar de trabalhar, ganhando só o suficiente para fazer o que eu quero e, principalmente, sem saber da vidinha alheia e vazia que a maioria das pessoas leva.

Mas, o pior de tudo isso é que, apesar da paciência zero, eu sei que amanhã eu vou ter que responder de novo quem é Amy Winehouse, por que eu leio Potter, por que não quero me casar... ainda que seja com um olhar fulminante, uma virada de olhos, um suspiro e sem poder mostrar para as pessoas a coleção de palvrões que eu coleciono há anos.

Divagações de uma fã de Harry Potter esperando poder sair de uma prova


Ficar aqui sentada esperando dar o tempo de sair da prova faz a gente ter idéias. Já pensei em atualizar Fotolog, gatos, Youtube, na incrível vontade de fazer xixi que eu estou, no que será que meus pais estão fazendo na cidade enquanto me esperam. Minha mãe trouxe um Potter. Começou a ler "Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban". Eu trouxe dois micro livros para passar a hora enquanto a prova não começava, mas agora não posso usá-los. E essa prova. Que ridícula!!! Pra que p@#$% um jornalista precisa saber o nome de umas teorias idiotas que não vão fazer a menor diferença no dia-a-dia da profissão? Por que saber quem é o autor de "O 4 Poder" vai influenciar em escrever bem ou não? What the hell??!?!?!?! Para mim isso aqui é provão do MEC disfarçado de concurso. Não mede p@#$%% nenhuma os conhecimentos e habilidades da profissão. Só as teorias da facul. E o pior: as teorias daquelas matérias que a gente não usa para absolutamente nada. A não ser que vão cassar o diploma da gente por não lembrar que "Escola" uns malucos de milhões de anos atrás fundaram!!! Aff...

Perdi uma boa festa, uma ida ao Studio 11 e boas horas de sono para nada!!! Grrrrrrrr.

E minha mesa fica perto da janela e uma droga de cortina fica toda hora voando em cima de mim. Não dá para evitar pensar que ao olhar para o sol, lá fora, eu vou ver o time de quadribol treinando. Detenção!!! Isso é o que estou cumprindo agora!!! Se fechar os olhos e deixar a imaginação ampliar os limites do gramado da escola (e das árvores), posso imaginar a casa do Hagrid, a Floresta Proibida... A lula gigante deve estar na superfície do lago. Essa também pode ser aula de "História da Magia"... tediosa... E o barulhinho chato do ventilador da aquela preguiça... Ai ai... ao menos podia ser aula do Severo, não? Ou da Sibila, para podermos prever grandes tragédias e morrermos de rir? Ou quem sabe do professor Lupin, com seus ensinamentos tão interessantes...

Arre! Deu a hora! Até que enfim...


(Esse texto foi escrito enquanto eu matava o tempo esperando para sair de um concurso ridículo, no qual eu deveria permanecer pelo menos durante 1h30 na sala de aula.... e eu terminei a prova com 50 minutos... )

Friday, October 13, 2006

Sobre mentiras e matemática


Confesso: sou um poço de contradições! Mas isso nem é novidade para ninguém. Já confessei aqui e em qualquer outro lugar onde eu tenha colocado minhas características (Orkut, fotolog, blog, My Space...). Por isso, não adianta nada você aí, que me conhece pessoalmente, me apontar o dedo e dizer que sou hipócrita ao criticar algumas coisas.
Eu faço! E justamente porque faço, sei que na verdade muitas vezes não é de verdade! É o mais puro fingimento para se conseguir aquilo que se deseja. Explicando: eu odeio dramas!
Sabe, aquele draminha barato do tipo: “você não me ama mais, por isso não quer ir comigo assistir pela milionésima vez aquele filme chatíssimo no cinema”, “eu sou a pior pessoa do mundo”, “você me odeia”.
Ah, tenha a santa paciência! Adultos que se prezam devem conversar como adultos e não como criancinhas do primário que tentam chantagear as mães para conseguir faltar às aulas, ou como as mães desses seres mimados, tentando convence-los a fazer algo que não querem.
Fora o tanto que me irritam aquelas coisinhas do tipo: “ai, estou dodói, cuida de mim.” Noooooooossa! Tenho vontade de voar no pescoço da pessoa e dizer pra criar vergonha na cara!
E pode me chamar de fria. Porque se não ter paciência para frescuras for sinônimo de frieza, então eu sou fria mesmo!
Mas, a essa altura do campeonato, você já deve estar se perguntando, porque cargas d’água estou falando isso, não é mesmo? Eu já explico.
Sabe aquelas pessoas que surgem na vida da gente e vão se tornando cada dia mais importantes? Você se abre, se entrega, é totalmente transparente. Aí, um dia, você descobre que tudo, praticamente tudo que a pessoa te contou sobre a vida dela, não passava de uma mentira. Sinceridade, naquela relação, era via de mão única. Qual seria sua reação? Ficaria magoada, dolorida, puta da vida mesmo, não é?
Aí, você vai conversar com a pessoa e deixa isso bem claro. E ainda acrescenta um: “eu te entendo, mas não peça para confiar em você tão cedo”. (e isso contando que você seja a mais compreensiva das criaturas, ou esteja numa fase muito zen. Porque o normal seria um “suma da minha vida”.) E ainda tem que ouvir do bonito, ou da bonita um: “não se faça de vítima!”
Não!!! Responda-me sinceramente: não é o fim da picada? O cúmulo da hipocrisia?
Você é enganado e ainda lhe acusam de se fazer de vítima?
Nesse ponto é hora de fazer outra confissão: eu tenho vontade de matar uma criatura dessas! E se não o faço são por dois motivos: prisão especial para quem tem diploma de curso superior só é válida até o julgamento e porque a vida dessa pessoa infeliz deve ser tão chata, que ela precisou inventar uma muito melhor para se tornar atrativa aos meus olhos.
E então o tempo passa. Porque eu venho aprendendo que tomar iniciativas de cabeça quente pode não ser exatamente a melhor opção. E eu começo realmente a acreditar que quando essas coisas acontecem mais de uma vez, a culpa é realmente minha. E de todas as outras pessoas que perdoaram uma “mentirinha”, ao longo dos tempos.
Mas, no meu caso é pior. Não bastasse a culpa por permitir que façam isso comigo, ainda me resta a consciência me dizendo que eu não aprendo com meus erros e, principalmente, o arrependimento por não ter ouvido o conselho que um professor de matemática deu para minha sala quando eu estava na 7ª série do ginásio. Ao passar uma prova para a turma ele disse: “gente, se vocês não souberem como resolver alguma das questões, coloquem a primeira besteira que vier à cabeça. Porque se vocês ficarem pensando muito tentando resolver o problema, vão começar a inventar e a coisa vai ficar bem pior.”
Não entendeu a relação? Eu explico: me arrependo muitíssimo de não ter seguido meu primeiro instinto e exterminado com a figura lá, no comecinho, quando tive vontade.
Aff... depois dizem que o que a gente aprende nas aulas de equações de primeiro grau, na escola, não vai servir para nada pelo resto da vida. Viu? Eu, se fosse você, começava a prestar mais atenção ao que os professores falam. Sempre se pode aprender alguma coisa extra-curricular

Friday, August 18, 2006

Esperando ansiosamente


O hábito adquirido na infância de ler tudo o que me caía nas mãos fez com que, algumas vezes, eu desejasse ter escrito alguma daquelas coisas.
Mas, eu acho que nenhum texto se encaixa tão bem nessa condição como “Um Telefonema” de Dorothy Parker. Ali, ela descreve tão bem as angústias, as ansiedades, de alguém à espera do malfadado telefonema, que é impossível não se ver no lugar da personagem principal.
Mas, o melhor de tudo é perceber como a história é atemporal. Hoje, como quando os telefones tornaram-se populares, o sofrimento de quem espera continua a mesma.
Qual mulher já não tentou enganar o relógio para que o tempo passasse mais rápido? Ler, sair, conversar com uma amiga, usar o telefone só para ter a desculpa de ligar depois dizendo: “estou ligando porque talvez você tenha me ligado e eu estava usando o telefone”.
Todo mundo já passou por isso. Todo mundo já quase caiu de uma cadeira, sobressaltado, ao escutar o toque do maldito aparelho. E muitos já passaram pela frustração de não ter o desfecho esperado para sua história.
É, eu sei. A história se repete ano após ano. Mas, sinceramente, não acredito que Dorothy Parker tivesse a noção do que ainda estaria por vir.
Os ansiosos do Século XXI têm que lidar, ainda, com celulares, pagers, Orkuts, e-mails e o famoso MSN.
Agora, sair para dar um passeio tentando distrair e matar o tempo, não adianta mais. Afinal, o celular vai atrás e, para completar, ainda serve como relógio.
Pior ainda, se o famoso “te ligo, ou nos falamos amanhã”, não vir seguido de um horário. Pronto. Está feita a lambança. Um dia todo de espera e nem um minuto de sossego.
Quem nunca se pegou apertando F5 no teclado do computador, repetidas vezes, só para ver se a esperada “foto” aparecia ali, como entre as pessoas que estavam on line, ou na sua página de “recados” para ver se seu “objeto de desejo” tinha dado um sinal de vida.
Confesso que o barulhinho da entrada de um contato no MSN já me fez pular muitas vezes e voltar, do meio do corredor, só para ver quem estava entrando. Já parei de jantar para ver quem me chamava no computador. Enviar/Receber do meu Outlook é o “botão” mais cobiçado, ainda que esteja programado para verificar a cada 1 min a chegada de novos e-mails.
É, eu sei que sou ansiosa. Sei, também, que sou neurótica. E quando o assunto é esperar, fico cada dia mais. Mas, eu não ligo. Afinal, que atire a primeira pedra quem nunca sentou na frente do PC e ficou conectado, torcendo e pensando: “sobe, plaquinha, sobe”, ou não olhou de cara feia para algum morador da casa que se atrevesse a usar o telefone num desses dias.
Sorte de quem vê a plaquinha subir, o outlook avisar a chegada de nova mensagem ou o Orkut acusar novo scrap. Sorte de quem tem seu programa de TV favorito interrompido pelo barulhinho chato do recebimento de mensagens via celular ou pelo o toque do telefone. Pode-se dizer que vocês foram abençoados! Agraciados com o dom, como costumo brincar.
Para os outros, fica o conselho que eu mesma já segui muitas vezes: “Get a life!”
Em português? Viva! Vai para a rua! As coisas só acontecem quando você desencana totalmente delas! Ou nunca reparou que quando você não está a procura de um namorado(a) sempre aparecem cinco ou seis pretendentes?
Quanto a mim, estou acabando de escrever esse texto e me mandando para uma festa! Mas, tenho que confessar que isso é fácil, quando não se espera o telefonema de ninguém, ou já recebeu pelo menos uma notícia no dia.

Sunday, August 13, 2006

Complexa ao extremo


Confesso: sou um poço de neuroses! Complicada, estressada, ansiosa. Tenho a exata noção do quão difícil pode ser me entender, porque eu mesma, muitas vezes, não me entendo. A rainha das contradições. Muito prática para algumas coisas, a complexidade em pessoa para outras.
Por aí, pode-se imaginar como são meus relacionamentos amorosos, não é mesmo? Desde adolescente, nunca fui o tipo de garota que ficava trocando de paixões como quem troca de roupa. Assim, enquanto minhas amigas colecionavam namorados, eu me dedicava aos amores platônicos. Tímida que só eu, nem me passava pela cabeça a idéia de dar um passo para mudar a situação.
Mas, um dia tudo muda. Tranquei a timidazinha idiota dentro de um calabouço seguro e saí para a vida. E aí as coisas se inverteram. Continuava não colecionando namorados, mas colecionava casos. Nunca trazia homens em casa para serem apresentados à família. Minha mãe sempre sabia com quem eu estava, mas dificilmente seria capaz de identificar o rapaz se encontrasse com ele na rua.
Até que um dia, o caso mais improvável, tornou-se o namorado mais improvável. Não me pergunte como! Nunca consegui uma resposta para essa pergunta. A mais plausível, talvez, seja o famoso “vou gostar de quem gosta de mim” (que já foi tema de um texto publicado aqui).
Cansada de “sair para caçar” e cercada, por todos os lados de “amigas namorandinho”, resolvi dar uma chance. Foram mais de quatro anos durante os quais quem nos via juntos acreditava que “era pra sempre”. Bem sucedidos, descolados, festeiros.
Um dia eu acordei. Descobri que eu não era mais eu. Que eu tinha me transformado na projeção da namorada perfeita de alguém. E, definitivamente, eu não queria aquilo para mim.
Joguei tudo para o ar, no ano que deveria mudar meu estado civil nos documentos. Senti muito, mas não sei viver sufocada. Posso me dedicar a alguém, mas preciso ter vida própria... Posso fazer parte da vida de alguém, mas não sei ser a vida de alguém.
Assim, com o poder de fazer o que quisesse com meus dias e, principalmente minhas noites, voltei à ativa. De caso em caso, de paixão em paixão, de festa em festa.
Vontade de encontrar alguém para ficar, não falta. Afinal, tem horas que ter um namorado é muito bom e, principalmente, mais prático. Mas, como eu costumo dizer, isso e doença que dá e passa. Basta assistir, um segundo depois, a uma cena de um casal mega apaixonado, ou alguém deixando de fazer algo que gosta só porque o namorado não gosta, ou desaparecer do convívio dos amigos, que a velha vontade de esganar um volta à tona.
Não consigo me conformar e entender quem se anula em função do outro. Porque quem já passou por isso, como eu, sabe as conseqüências. Definitivamente, acho que não sou alguém namorável. Fico em dúvida, às vezes, se sou sequer suportável.
No final das contas, me pergunto se nasci com defeito de fábrica ou sou só alguém que consegue analisar friamente esse tipo de coisa.
Certeza, eu só tenho mesmo, que sou uma pessoa muito diferente da maioria. Principalmente daquelas mulheres que ainda acreditam que para serem felizes precisam ser um casal. Essas têm entre as suas neuroses, o medo de ficar sozinha. Enquanto eu tenho medo de estar junto e me deixar anular novamente.
Mas, quer saber?Como faço com todas as minhas complicações, também essa não me interessa resolver. Sem elas eu perderia grande parte do meu charme (se é que ele existe!!!?!?!?!!?). Ou pelo menos da minha ironia. Perderia, com certeza, a habilidade de fazer graça de tudo. E me tornaria a mesma chata que eu tranquei no calabouço (junto com a timidazinha) quando resolvi retomar as rédeas da minha vida

Saturday, August 05, 2006

O Príncipe Desencantado


Desde pequena eu tripudiava a idéia do “Príncipe Encantado”. Achava ridículos aqueles contos com a princesa que vivia para encontrar seu amado que, um belo dia, chegaria num cavalo branco, usando aquelas roupinhas cafonas (meias brancas, uma espécie de shortinho com elástico nas pernas, blusa com mangas bufantes, capa e um chapeuzinho esquisito com uma pena de enfeite, para arrematar).
Aquilo simplesmente me matava de tédio. Eu gostava era da madrasta má. Aquela que fazia príncipes e princesas de tontos e aterrorizava o reino todo (e quem me conhece sabe que isso até deu origem a um site, o Malvadas).
E a história de beijar o sapo então? Inadmissível. Eu beijaria um sapo sim, com todo o prazer do mundo, se ele se transformasse num mago com o qual eu pudesse levar uma vida cheia de aventuras e surpresas. Isso porque a vida perfeita do casalzinho principal dos contos de fada, depois do “e foram felizes para sempre”, devia ser insuportável.
É claro que até as madrastas más e as bruxas podem se apaixonar perdidamente (nunca por um sujeitinho num traje que inclua um shortinho com elástico nas pernas, óbvio!). O amado dessas mulheres seria muito mais interessante. Mas eu não me lembro de uma estória que aborde o tema. Pelo menos, não uma estória infantil. O que me leva a ter certa pena das garotinhas, admiradoras dessas princesas, que vão passar a vida toda acreditando que o senhor perfeito, vai bater à porta da sua casa um dia e que eles terão filhos e serão felizes para sempre. Que esse ser maravilhoso nunca vai arrotar ou ir ao banheiro de porta aberta. Que ele vai ter uma mira perfeita e ela nunca vai ter que pedir para levantar a tampa da privada.
E, acreditem: ainda existem mulheres que esperam por esse carinha! Eu mesma conheço uma meia dúzia.
Discutindo isso, então, um dia me foi perguntado qual seria o meu homem perfeito.
Minha resposta? Não existe. É, não existe. E não existe porque eu não quero ao meu lado alguém perfeito. Quero alguém real. Do tipo que erra, que acorda amarrotado, que faz bagunça, que erra o caminho, que esquece de trazer alguma coisa do supermercado, que me mate de raiva num dia e me faça dar gargalhadas no dia seguinte.
Entretanto, como ninguém é de ferro eu me dei o direito de sonhar um pouquinho como seria a “imagem” dessa figura. Teria cabelos escuros (porque o mundo sabe que eu não gosto de loiros, mas complexa que sou, me acabo por alguns do tipo) que poderiam ser curtos, médios ou longos, mas cuidadosamente desarrumados. Ele até poderia vir montado num cavalo (afinal, vilões e magos também são adeptos dessa prática), mas é mais provável que venha numa moto ou num carro que não tenha sido ganho do papai. No lugar das meias brancas e do shortinho, uma calça jeans e no das botas, tênis (claro que o All Star seria o campeão da preferência, mas...). Substituindo a camisa de mangas bufantes, uma camiseta e uma jaqueta estilosa. E, por último, se tivéssemos que escolher alguma coisa para ficar no lugar da espada, seria uma bela guitarra.
Ao lado dele eu correria o mundo, visitando os lugares mais inusitados e maravilhosos. Veríamos shows incríveis, leríamos pilhas de livros e ouviríamos só as melhores músicas.
Descrevo, divago, viajo, sonho e... volto para o mundo real. Afinal, até o meu “príncipe desencantado” é uma idealização tão perfeita de alguém que se torna impossível encontra-lo em qualquer lugar. E como levar a vida esperando ou procurando alguém não está entre minhas vocações eu continuo por aí, curtindo os rapazes de carne e osso. Cada um com sua característica do meu objeto de desejo, mas que são capazes de me fazer especialmente feliz. Cada um a seu tempo!

Sunday, July 30, 2006

Eu descobri


Eu descobri que:
1) Acordar na segunda-feira com chuva é um saco. Mas aquele barulhinho da chuva batendo na janela, numa manhã de domingo, quando você sabe que pode passar o resto do dia na cama, é MUITO BOM!

2) Que dormir junto é gostoso. Mas dormir sozinho também pode ser uma delícia! (principalmente se você já passou pela traumatizante experiência de dormir com alguém que ronca como turbina de um supersônico)

3) Que a gente pode e deve mudar de opinão sobre as pessoas! E que aquela supervisora que todos diziam que era uma carrasca chata pode se tornar sua melhor amiga. Enquanto que aquele cara por quem você derramou muuuuuitas lágrimas, não passou de mais uma na sua vida!

4) Que deixar de fazer o que se gosta e se quer por causa dos outros é estupidez!

5) Que aquelas histórias dos filminhos da "Sessão da Tarde", tipo "Admiradora Secreta" e "Alguém Muito Especial" (a menina tem um amigo, por quem é apaixonada, e que é apaixonado por outra garota. A menina ajuda o amigo a conseguir a garota e, quando isso acontece, ele descobre que ela é um saco e o grande amor de sua vida é a sua amiga), podem ser verdadeiras e, pasmém, também acontece com os garotos!

6) Que quando a gente beija um sapo ele pode se transformar em: a) Num príncipe, ou seja, num cara chato, previsível e pegajoso que te liga 20 vezes num dia; b) Num mago ou sábio poderosíssimo, que vai trazer toda a magia e a maravilha pra sua vida (desse tipo eu nunca beijei nenhum e se vc conhecer algum solteiro, me apresente); c) Em algo parecido com um grande mago, mas que o tempo, a convivência e a experiência, mostram que era só um aprendiz de ilusionista.

7) Que posso me interessar por alguém que eu conheço e em quem nunca tinha pensado como uma possiblidade.

8) Por fim, descobri que a cicatriz do machucado que eu fiz no tombo que levei naquele maldito churrasco de carnaval, ainda dói conforme o sapato que eu uso!!! rs

Quando gostar de quem gosta da gente não é suficiente


No começo tudo é lindo! Você vai ganhar flores, presentes, carinhos e toda a atenção do mundo. Você vai se sentir importante, querida. Afinal, você já não acreditava mais que pudesse ser amada desse jeito, que merecia tudo isso. Você vai chorar com as declarações. Então, um dia as coisas mudam... Você percebe que isso já não é suficiente. Não é suficiente quando percebe que seus olhos não brilham quando você fala dele. Que comprar um presente é uma coisa mecânica. Que toda aquela atenção e carinho é enjoativo porque você não sente o mesmo. Não é suficiente quando você percebe que sair pra balada com os amigos, sem ele(a) é tudo o que você queria. As flores e os presentes vão se tornar irritantes. A presença insuportável. A lembrança desagradável. Você vai começar a ficar doente todas as vezes que tiver marcado algo com a pessoa, inconscientemente. Quando isso acontece, o melhor é parar antes que vire ódio. E o final? Quando chega é triunfante. Via de regras as duas pessoas saem machucadas. Uma porque achava que tudo estava normal. A outra porque percebe que estava se ferindo, se violentando, em nome de algo que não existia. Mas, a liberdade e a sensação de alívio são insuperáveis!” Eu? Eu aprendi! E embora a tentação de gostar de quem gosta de mim seja grande, aprendi que toda a amargura que isso trouxe para a minha vida não vale a pena!"

Thursday, July 27, 2006

Tudo diferente


Se eu tivesse uma chance faria tudo diferente. Me transformaria na garotinha meiga que todos imaginavam que eu seria. Viveria para casar, ter filhos, cuidar da família. Levaria uma vida comum, com todos os percalços que ela traz consigo.
A essa altura já teria minha casa e aos domingos reuniria as duas famílias (minha e de meu marido), para um churrasco. Nos meus aniversários, e nos dele, convidaríamos os amigos para uma festa sem muita badalação, ou sairíamos para comemorar num restaurante, ou na pizzaria.
De vez em quando encontraria minhas amigas de escola, lembraríamos os velhos tempos, discutiríamos os melhores métodos para criar nossos filhos e falaríamos sobre os empregos perfeitos de nossos maridos perfeitos.
Uma vez a cada bimestre eu iria nas reuniões de pais e combinaria o rodízio com as mães dos amigos dos meus filhos, afinal, era nosso dever zelar pelo meio ambiente e não ficarmos poluindo a atmosfera utilizando um carro para levar apenas uma criança para a escola.
Eu realizaria os sonhos dos meus pais, da avó, dos tios, do mundo. Seria a mulher perfeita. Aquela que espera o maridinho em casa, com o jantar pronto e sempre disposta a me entregar aos seus desejos.
E então, enquanto meus filhos perfeitos crescessem, eu os obrigaria a ser uma série de coisas que, na verdade, refletiriam os meus desejos e sonhos sufocados e abandonados em algum momento.
Pensando bem, se eu tivesse uma chance, faria tudo igual! Não nasci para levar uma vida burocrática e sem aventuras. Não quero chegar ao fim da vida pensando: "ah, Deus, como eu queria ter vivido de outro modo!"
Não, eu não quero isso.
Gosto das coisas como elas são hoje! Não entendo quem deixa a vida passar. Para mim, nós é que temos que passar por ela. Deixar nossa marca. Não sermos marcados.
Levo a vida do meu jeito. Amando intensamente cada um dos homens que passaram por ela. Desistindo de cada uma das coisas que eu acreditei que não valeriam nada ou não me trariam nada de bom. Experimentando, correndo, vivendo, respirando, sufocando...
Não nasci para sexo burocrático. Talvez por isso não tenha tempo para perder.
Faço aquilo que tenho vontade e isso independe da opinião alheia.
Eu amo as coisas do jeito que eu faço e tenho pena daqueles cuja única forma de se divertir é falando da vida alheia. Afinal, as suas são tão medíocres que não lhes resta mais nada.
Não critico, nem julgo quem leva a vida que descrevi acima. Ela só não serve pra mim. Como a minha não serve pra essas pessoas. Então, eu simplesmente gostaria que elas não me criticassem ou julgassem.
Como não sei se isso é possível, eu, sinceramente espero que elas sejam capazes de experimentar, pelo menos uma vez, a delícia que é o frio na barriga de quem anda numa montanha russa. Seja ela de emoções e sentimentos, seja ela de um parque de diversões. Afinal, todos nós devemos arriscar pelo menos uma vez. Eu sou apenas alguém que escolheu ar

Piloto Automático



“Você está praticamente namorando, só que sem beijar na boca!”
Timmmmmmmmmmm!
Ouvir uma frase dessas de uma amiga logo pela manhã faz tocar o sininho interno de qualquer um.
Como assim? De repente você pára e numa questão de segundos faz uma retrospectiva dos últimos acontecimentos da sua vida. Mais ou menos como acontece com as pessoas que passam por uma experiência de quase morte (bem, pelo menos isso é o que dizem, não é mesmo?).
O que você fez nos finais de semana dos últimos três meses? Pra quem você liga na hora de desespero? No colo de quem você chora quando alguma coisa não está bem?
Sim, sim... durante um período desse vocês foram “ficantes” ou “peguetes” como dizem por aí. Mas, acabou! E já faz um tempinho. Um dos dois até já começou a namorar. Mas parece que vocês não se deram conta das mudanças. Às vezes é preciso alguém de fora dar palpite sobre isso, para fazer “cair a ficha”.
“Somos amigos, apenas amigos.” Assim é a resposta para qualquer um que pergunte...
É, amigos que não se desgrudam, que brigam, que regulam a vida um do outro, que se vêem com mais freqüência do que muitos namorados (inclusive do que o casal que se formou após o fim da amizade colorida de vocês).
Mas, o que você vai fazer a respeito, hein? Se dar conta e deixar por isso mesmo?
Não me venha com essa, ok? Não tomar atitudes é coisa pra fracos!
Pare de recusar convites! Pare de não pensar nas possibilidades! Faça alguma coisa! Aliás, faça qualquer coisa, mas aja, por favor!!! É o mínimo que você pode fazer!
Então você pára e pensa: “hmmm não sei o que quero de verdade...”
Pois então descubra, porra!
Você gosta da pessoa? Aja!
Seus sentimentos são apenas de amizade! Aja também!
O que você não pode é se anular! E se você me disser que descobriu tarde demais que o amava, lembre-se: “tudo tem seu tempo!”
E, please, arrume alguém pra “perder uma meia hora” enquanto as coisas continuam nesse pé!
E no final, lembre-se sempre dos sábios versos da música do Los Hermanos:
“sei, tanto te soltei que você me quis em todo lugar...”
Agora, faça-me um último favor? Saia da frente desse maldito computador e vá cuidar da sua vida porque príncipes encantados em cavalos brancos só existem em contos de fadas e, com certeza, são chatíssimos! Então, vista uma roupa bem legal e vá curtir sua vida!
Eu agi, perdi muitas meias horas e me resolvi! Ah... e como me resolvi! ;)

Todo mundo já caiu de amor


Todo mundo já caiu de amor alguma vez na vida. Amor daqueles que a gente acha que não vai mais conseguir respirar se não tiver a pessoa por perto. O peito dói, o estômago gela e as pernas tremem. Só de pensar no amado o corpo reage. E se somos correspondidos, então... Ah...
No início tudo é lindo, a felicidade é contagiante, os risos são fáceis, os dias leves, as noites juntos são curtas e as separados parecem sem fim. As bocas, as mãos se procuram, a cabeça encostada no ombro, os olhos fechados... Êxtase puro!
E, então, um dia chega o fim. A famosa frase “precisamos conversar” traz consigo toda a ansiedade e o desespero. A intuição avisa, mas nos recusamos a acreditar. Invariavelmente uma das partes sofre mais do que a outra. Vem o choro, a depressão, a vontade de sumir.
O estômago já não gela, se contorce. As pernas já não tremem, não têm forças. O coração dói e respirar é insuportável. O bolo na garganta não deixa passar nada. Difícil controlar as lágrimas, impossível esconder a tristeza.
Com o tempo essas sensações diminuem. E o relacionamento fica no passado. Na memória apenas a lembrança dos momentos passados juntos. Mas, o que acontece quando a tristeza diminui mas o amor não passa? E fica lá por tanto tempo que parece fazer parte da gente. Você se acostuma com aquela sensação, se apega ao sentimento... E, de repente, já não quer mais que ele passe.
“Não, não... já me acostumei a esse amor, não quero outro! Pra que? Pra sofrer de novo depois?” Perguntas típicas de quem se recusa a dar um passo adiante.
Mas aí, um dia, por mais que relute, percebe que acabou. Alguém chegou de mansinho, como quem não quer nada e ocupou o espaço que era de outro. E, então, não sei como, mas você parece entrar em luto. Fica triste. Mas uma tristeza diferente. Daquelas que você sente não porque perdeu alguém (afinal, essa você já tinha sentido tempos atrás), mas porque percebe que aquele sentimento que você jurava ser “para sempre” acabou. Como acabou? Não tinha que ter acabado? Ele já fazia parte de você...
Por uns dias vai ser estranho, você parece que roda, roda, roda e não sai do lugar, não sabe que caminho seguir. Mas, um dia vai acordar olhar a sua volta e dizer: “Já era hora! Um dia tinha que acabar! Melhor assim, guardarei as lembranças! Sou feliz por ter vivido algo tão intenso. Afinal, triste de quem nunca experimentou um sentimento tão bom pelo qual pudesse se apaixonar.”
Então, você levanta a cabeça e segue em frente. Com a certeza de que está pronto pra recomeçar e se apaixonar novamente. Dessa vez, não por um sentimento, mas por alguém de verdade.

Meu vicio


Ainda me lembro da primeira vez! A diferença era de apenas 03 anos e, do alto dos meus 19 anos eu achava que poderia dizer: “escuta aqui, seu molequinho!”, cada vez que ele fazia alguma coisa que eu não gostava. Naquela época eu já achava que sabia tudo e mais um pouco sobre a vida para dar lição em alguém mais novo do que eu. Quanta ilusão! Só porque eu estava na faculdade e ele ainda cursava o “segundo grau”.
Claro que a relação não durou. Não pela diferença de idade, mas por todas as outras coisas que a cercavam. E eu continuei me envolvendo com garotos mais novos sem nenhum pudor. Teorias não me faltavam sobre o porquê de estar com eles.
E não foi por falta de tentativas. Namorei alguém da minha idade, “flertei” com homens mais velhos. Mas, a verdade, é que meu espírito aventureiro e irreverente, do tipo que adora uma festa e uma bagunça nunca conseguiu sustentar uma relação desse tipo.
Ficar em casa num final de semana assistindo filme, ir a uma pizzaria no sábado à noite, reunião formal com amigos de trabalho do casal, sempre me entediaram! Eu nunca consegui acreditar que esses programas típicos de namorados que se isolam pudessem bastar. E, para mim, não bastaram. Tanto que me sufocaram e me fizeram voltar ao que eu era antes.
É mais ou menos como aquelas pessoas que usam um tipo de droga, fazem um tratamento de desintoxicação, passam um tempo na abstinência, mas, um dia, alguma coisa as leva de volta para o vício.
Sim, vício. Porque hoje já acredito que os garotos mais novos são, na minha vida, um vício. O frescor, a aventura, a inconseqüência, a disposição, o riso descompromissado, o olhar atrevido, a inquietude, me atraem. E me puxam como um vórtice insano pra dentro desses relacionamentos.
Eu já perdi as contas de quantas vezes me envolvi de quantas “ficadas sem compromisso”, dentro de quantas deliciosas confusões já me encontrei, levada pelos braços desses garotinhos. Ah, e que garotinhos.
Desculpas não me faltam, juízo talvez! Quem me conhece sabe quantas vezes eu já prometi que não entraria numa dessas novamente. Mas, fazer o que se “meu nunca” mais dura apenas até o próximo encontro, telefonema, msn ou torpedo SMS?
A verdade é que eu não me arrependo! E, se algum dia você me ouvir dizer que acabou não acredite! É bem provável que seja uma segunda daquelas em que eu estou morrendo de ressaca pelas aventuras do final de semana.
Nada que o sorriso ou alguma coisa “ingênua” saída da boca de um desses garotinhos não cure!